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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Ao contrário do que disse a Folha, sociólogo é contra o estado negociar com o crime

No Brasil 247

O especialista em segurança pública e professor da UFMG, Claudio Beato, afirmou nesta segunda-feira, por meio de uma nota, que não é a favor de o Estado negociar com organizações criminosas, ao contrário do que foi publicado pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira. Segundo ele, o jornal parece ter-lhe imputado uma posição que significaria "a tese da entrevista" e que este era um "tema absolutamente secundário e sem maior importância no contexto do que estava sendo discutido".

O texto da Folha indica que Beato não seria contra uma negociação entre Estado e crime. "No Brasil, a polícia faz acordos informais com o crime, de acordo com ele, que deveriam ser institucionais", diz a reportagem, atribuindo o pensamento ao entrevistado. O professor diz que não é bem assim: "Não se negocia com organizações criminosas. Muito menos o país deveria adotar algo desta natureza, como foi dito na primeira página", diz sua nota, publicada pelo Twitter.

A reportagem cita exemplos de negociações com criminosos "dos EUA a El Salvador", que teriam sido mencionados por ele como bem-sucedidos. Ele explica que, nesses casos, as negociações foram feitas "por outras organizações que não o Estado, mas a Igreja Católica no caso de El Salvador, ou pastores do Ten Point Coalition, no caso de Boston". Na entrevista, publicada no formato pingue e pongue, Beato chega a dizer: "Não sou contra a negociação, eventualmente, e de forma pontual", deixando claro seu posicionamento.

O que parece ter incomodado o entrevistado foram as chamadas e os destaques na primeira página: "Embora o texto do corpo da matéria esteja correto, na chamada e na primeira página me foi atribuída a polêmica posição de que eu seria favorável a uma negociação do Estado com o crime organizado. Jamais faria isto". Leia os trechos que o repórter menciona um acordo entre o Estado e o PCC e, abaixo, a íntegra da nota do sociólogo.

Há quem diga que houve um acordo com o PCC.
Se houve acordo, por que não fazer isso de forma transparente? El Salvador acabou de fazer um grande acordo com as Maras. São grupos mais violentos e com inserção social muito maior do que o PCC. Em El Salvador, houve um investimento muito grande em prisões duras, como algumas de São Paulo. As prisões funcionaram, mas a situação fora piorou. Houve negociação para tirar alguns líderes dessas prisões desde que ajudassem a controlar a situação fora. Foi intermediado pela Igreja Católica.
Você acha que o governo deveria negociar com o PCC?
Não sou contra a negociação, eventualmente, e de forma pontual. Vou falar uma coisa que será muito criticada. Isso aconteceu em Boston. O projeto mais conhecido de controle da violência nos EUA, chamado "Cessar-Fogo", foi feito por meio de um conjunto de ações da polícia, prendendo de forma mais focalizada o que eles chamam de alavancas do crime.
Houve também ofertas de empregos, melhoria de condições sociais. E a negociação com as gangues foi feita pelos pastores. Eles sentaram com as gangues e policiais e negociaram um cessar-fogo. Em Medellín [Colômbia] também houve acordo.

Íntegra da nota de Claudio Beato:

Nota de Esclarecimento Público
Claudio Beato

Em relação a matéria veiculada no dia 19 de novembro de 2012, na página A12 da Folha de São Paulo, gostaria de prestar os seguintes esclarecimentos.
Embora o texto do corpo da matéria esteja correto, na chamada e na primeira página, me foi atribuída a polêmica posição de que eu seria favorável a uma negociação do Estado com o crime organizado. Jamais faria isto. O que fiz foi descrever ao repórter com todas as letras que havia exemplos de processos de mediação de conflitos através de entidades civis que teriam acontecido, e dos problemas e limites deste tipo de estratégia. Jamais tomaria posição genérica num tema tão espinhoso mesmo porque não acredito neste tipo de estratégia. Não se negocia com organizações criminosas. Muito menos o país deveria adotar algo desta natureza, como foi dito na primeira página. Pode se pensar em mecanismos de mediação de conflitos para reduzir e evitar as mortes resultantes. Algo similar ocorreu em outros países em relação a problemas bem específicos e pontuais como, aliás, está dito na entrevista, mas que não encontra expressão nas caixas altas do título da entrevista. Sublinhe-se que, quando foi feito, a mediação era efetivada por outras organizações que não o Estado, mas a Igreja Católica no caso de El Salvador, ou pastores do Ten Point Coalition, no caso de Boston. Nestes casos tratava-se de mediar o conflito entre as gangues para diminuir o número de mortes e jamais para estabelecer uma trégua quando elas estão em conflito com o poder publico. Infelizmente me foi imputado uma posição que parece ser a tese da entrevista, e na realidade é um tema absolutamente secundário e sem maior importância no contexto do que estava sendo dicutido na entrevista.

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