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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

A Questão Árabe-Israelense, do ponto de vista de um judeu

Leia abaixo a opinião do advogado judeu Djamiro Acipreste sobre a situação em Gaza.

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Como cidadão, advogado, professor de direito e judeu não posso me furtar a debater o tema que ganha à mídia por agora, mais um gatilho na arisca questão Árabe-Israelense.
Sempre, ao chegar no período eleitoral em Israel começa uma escalada do horror, não inadvertidamente isto ocorre. Fato claro e concreto é que esta escalada do horror cria uma sensação de insegurança em Israel, e essa sensação leva a votos cada vez mais à direita, cada vez mais para um caminho em sentido contrário à construção real e viável da paz entre palestinos e judeus.
A direita e a extrema direita de Israel não concebem nenhum esbouço de plano de paz que passe pela teoria dos dois estados. E isso, por si só, condenam mães judias e palestinas a enterrarem seus filhos nos últimos sessenta anos.
A questão Árabe-Israelense passa de forma essencial pela construção ideal do entendimento da teoria dos dois estados, não um de fato e outro de direito; não um dentro do outro. Mas, sim dois estados, igualmente autônomos, independentes, nacionais e livres.
Felizmente, a esquerda Israelense e parte do povo judeu não aceita a situação em que Israel se encontra, com flagrantes desrespeito aos direitos humanos e a situação de palestinos que se assemelham as condições, tão amplamente repelida pela humanidade, do holocausto na segunda grande guerra.
Sob outra ótica, não raro os judeus e Israelenses são esteriotipados em sua totalidade como apoiadores totais e incondicionais da atual situação em Israel. O povo palestino, assim como judeus e quaisquer outras religiões e/ou etnias têm o sagrado direito a sua existência livre e pacífica junto aos seus.
Aos desavisados e revanchistas podem surgir o contra-argumento do hamas e sua pregação de ódio aos judeus. O discurso só encontra guarida quando existem brechas nas condutas. O ódio aos judeus fica de fácil concretização quando mães e pais palestinos têm filhos mortos por esta guerra desumana. Igualmente, o ódio judeu aos palestinos surge quando do pai ou mãe judia enterra um filho.
A solução de dois estados é a única capaz de desarticular o ódio no médio oriente, a solução de dois estados pode maior dimensionar as relações amistosas entre Israel e Cisjordânia, fazendo com que a coexistência possa construir um modelo duradouro de paz. Do Hebraico Chesed v'Shalom Alechem - que a paz e a graça estejam com vocês e do Árabe As Salam Aleikum - que a paz esteja sobre vós.

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