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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

CEI Mirassol: Ideologia, discurso, discriminação e negação

Vou dizer uma coisa: análise do discurso deveria ser disciplina obrigatória na faculdade de publicidade. Só assim o povo ia entender.

Um dos motivos deste espaço se chamar "De olho no discurso"é por valorizar a disciplina da Análise do Discurso, ferramenta metodológica fundamental para entender o funcionamento de muitos discursos que circulam no meio social.

A propaganda do CEI Mirassol tem dois problemas. Primeiro: cede à ideologia de que educação serve para garantir um emprego de prestígio no futuro.

Isso deve causar arrepios em vários educadores: educação deveria ser vista como servindo para libertar o ser humano e lhe dar autonomia para ser o que bem entender.

A ideia, aliás, por trás dessa que vê a educação como caminho para ser um profissional de prestígio é a mesma que afirma que se estuda "para ser alguém na vida". As pessoas repetem isso e não percebem que colocam uma legião de pessoas que não puderam ou não estudaram na condição de não-pessoas. Inclusive essas "não-pessoas" se subjugam a essa ideologia.

A propaganda do CEI Mirassol reforça esse preconceito.

Por isso, amei ter estudado e pôr minha filha para estudar no Colégio das Neves.

O enfoque da educação em minhas experiências ali nunca foi o resultado, mas o sujeito. A sua formação. Prefiro que minha filha seja uma pessoa humanizada, comprometida, a que seja bem sucedida financeiramente em uma profissão. E que ela seja o que quiser da vida. Eu sou jornalista e professor universitário. A mãe é fonoaudióloga. Ela pode ser o que quiser - meu único sonho é que ela seja alguém humana.

O segundo problema é o preconceito com algumas profissões menos prestigiadas.

Se a ideia era mostrar que uma má escolha para escola pode impedir a realização do sonho de profissão do seu filho, que mostrasse, por exemplo, o menino sendo incapaz de fazer um cálculo, ou não passando no vestibular (ou Enem). O problema foi fazer de um engenheiro fracassado um palhaço. E aí, sim, há um elemento ideológico e preconceituoso. Da mesma estirpe do comercial da Alfabetização Solidária que postei mais cedo.

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Passei hoje em frente à Associação Cearense dos Artistas de Circo e lembrei-me da ideia passada pelo comercial. Que tentam, sem sucesso, negar.

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