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Destaques

Meia noite de um três de maio

Olho no relógio e passam 25 minutos da meia noite. Já é 3 de maio. Há semanas tenho pensado sobre a morte. Pensado sobre a morte de minha amiga Asenate, da mãe de minha primeira namorada. Tenho pensado na morte que nos cerca quando tentam nos excluir e nos silenciar. O exílio é uma forma de morte simbólica, o ostracismo era a morte política que substituia uma execução brutal. Tenho pensado que muita gente queria ter coragem de matar mas não tem e opta por excluir. Tenho pensado que a exclusão coletiva é uma alternativa ao linchamento assim como o cancelamento. Tenho pensado que a morte é aquele limite absurdo com o qual nos deparamos e a partir do qual somos obrigados a uma decisão: ou elaboramos um projeto que nos dê sentido, ou nos deixamos sucumbir. Se a morte é inevitável e sem sentido por que não abreviar sua chegada? Por isso, a vida precisa ter sentido. Eu preciso dar sentido à vida. A morte nos cerca com sua força sutil, constante e inescapável. A morte nos empurra a entender t...

Veja deixou Noblat pendurado na broxa?

Por Altamiro Borges

O Portal Imprensa acaba de informar que a Veja “decidiu não divulgar o áudio da entrevista com Marcos Valério”. Segundo a repórter Jéssica Oliveira, “a matéria de capa da edição 2287 sobre as declarações de Marcos Valério acerca dos envolvidos no mensalão gerou duras críticas à publicação. Na sequência, ganhou repercussão nacional quando a revista primeiramente negou e depois garantiu ter falado diretamente com o réu para construir a reportagem”. Agora, porém, a Veja teria desistido de publicar a tal entrevista!

Motivo de chacota?


A notícia, confirmada pelo próprio Ricardo Noblat, segundo o portal, deve ter desagradado o blogueiro da Globo. Ele apostou todas as fichas na divulgação do áudio, que acusaria Lula de ser “o chefe do mensalão”. Mas, agora, ele pode ficar pendurado na broxa, sendo motivo de chacota. Na noite de ontem, o blogueiro da famiglia Marinho até insinuou que o gato havia subido no telhado. Ele informou que “a direção da Veja está reunida para decidir se divulga ainda hoje em seu site a gravação da entrevista feita com Marcos Valério”.

Noblat jura que o áudio existe. “Foi na semana passada, em Belo Horizonte, que a Veja entrevistou Valério. E gravou a entrevista”. Ela só não foi publicada devido à discordância de Marcelo Leonardo, advogado do publicitário. De tão convicto, o jornalista da Globo até contesta o próprio diretor da Veja, Eurípedes Alcântara, que garantiu na sua “carta ao leitor” – equivalente ao editorial da publicação – que “Valério não quis dar entrevista sobre as acusações diretas do envolvimento de Lula que ele vem fazendo”.

O pensamento do seu avô


Noblat é um profissional tarimbado. No livro “O que é ser jornalista”, ele mesmo relata várias patifarias cometidas por barões da mídia – e inclusive dá nomes aos bois. Interesses comerciais, partidarização, golpes rasteiros e manipulações fariam parte do cotidiano das redações, garante. Ele também assume que já aprontou das suas na profissão, mas por motivos nobres (Noblat, em latim, significa nobre). “Lamento informar, mas já inventei. E mais de uma vez. Se quiser substituir ‘invenção’ por mentira, faça-o”, escreve no livro.

Será que estaria inventando, “mentindo”, também agora no caso da entrevista não publicada de Marcos Valério? Não dá para saber. O certo é que a revista Veja já mentiu várias vezes – como no caso dos “dólares das Farc” ou do avião de Cuba. A publicação fascistóide já chegou a acionar um repórter-bandido para invadir um apartamento utilizado pelo ex-ministro José Dirceu. Ela também se aliou ao crime organizado, à máfia de Carlinhos Cachoeira, para produzir as suas “reporcagens” com interesses comerciais e políticos.

Por que Noblat bota tanta fé nesta publicação tão decadente? Em seu livro, o blogueiro da Globo cita um rico ensinamento do seu avô: “Só existem dois tipos de jornalistas: o venal e o honesto. O venal fica rico. O honesto vive sendo demitido e morre pobre”. Será que este pensamento não atormenta a sua consciência?

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