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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Por que é importante Daniel Pessoa no TJ-RN?

Conheci Daniel Pessoa em 2005.  Era a campanha pelo desarmamento.  Fui a uma reunião, em um sábado pela manhã, representando a comunidade evangélica em que me congregava. Daniel estava lá, ao lado do então ouvidor da Secretaria de Segurança Pública, Marcos Dionísio - atualmente presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos.
Daniel já era famoso.  E foi uma honra conhecê-lo e, posteriormente, estreitar a amizade com ele.
Daniel não se tornou conhecido porque quisesse.  Em 97, no intervalo de meses, teve o irmão mais velho e o pai assassinados.  O pai, o promotor de justiça Manoel Alves Pessoa Neto, atuava na comarca de Pau dos Ferros e foi morto a mando do juiz Francisco Lacerda.  Manoel dá nome à rua onde se sedia o Ministério Público estadual atualmente.
Ao contrário do que diz o discurso do senso comum adotado por muita ideologia fascista por aí, Daniel, vítima da violência, não se tornou um defensor da tese de que bandido bom é bandido morto.  Daniel se aprofundou no humanismo e se tornou defensor das vítimas de violência de toda espécie.  À época, como meu labor de jornalista, tentava auxiliar no que podia às divulgações de casos, como o da menina Regina Mayara, vítima por vários erros do estado, em defesa de quem atuou.  Mayara foi atropelada por uma viatura da PM e depois vítima de erros médicos que a deixaram debilitada.  Recentemente, Mayara estava perdendo tecido cerebral.  Condenado, o estado nunca se responsabilizou com o devido.
Vez por outra, um café da manhã especial lembrava as vítimas de violência atendidas por Daniel, Marcos Dionísio e outros advogados do grupo.
Daniel hoje é candidato ao Quinto Constitucional.  Confesso que, logo que vi a decisão do TJ de que a vaga se reservava aos advogados, passei a torcer por ele.
Acredito, de verdade, que a eleição para o TJ em uma sociedade como a nossa pode ser mais importante do que a eleição municipal. A garantia da justiça e do direito repousam no colo, na mesa e no gabinete dos desembargadores.
Daniel é candidato.  Seu número é o 16. Ele mesmo se apresenta:
"Sou Advogado militante há 12 anos, inscrito na OAB/RN desde 2000 (n. 4005), tendo atuado como estagiário de Advocacia de 1997 a 1999, somando 15 anos de exercício profissional na Advocacia.
Atuo nas áreas de Direitos Humanos, Direito Constitucional, Direito Administrativo e Direito Empresarial, mas também no Direito Civil (com foco principal na responsabilidade civil do Estado) e no Direito Penal (este em menor escala)".
Daniel é especialista em Direitos Humanos pela UFPB (2004) e mestre em Direito Constitucional pela UFRN (2007). Além disso, é Conselheiro da OAB/RN para o triênio 2010-12 e presidente do Instituto de Pesquisas e Estudos em Justiça e Cidadania – IPEJUC. "Com satisfação, membro e colaborador da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares – RENAP, da Confederação do Equador e do projeto de extensão da UFRN 'Escritório Popular'", diz. Foi, também, coordenador científico dos I, II e III Congressos Brasileiros de Direitos Humanos, Sociedade e Estado (CBDHSE) e Presidente do IV CBDHSE, todos ocorridos em Natal.
Em sua plataforma de candidato, tem apresentado as seguintes propostas (e convidado os advogados a contribuírem com mais propostas):

1) Que o mais votado pela Advocacia seja o escolhido pelo Tribunal de Justiça e pela Governadora para o cargo de Desembargador. No último processo de escolha, já tinha manifestado publicamente essa posição política e institucional, em artigo veiculado no Jornal de Hoje (“Respeito à vontade democrática”). Mantenho-a, sob os mesmos termos. 
2) Mandato de 8 anos, com mais uma renovação de 8 anos, totalizando 16 anos no cargo. Tempo suficiente para contribuir com a construção institucional e o debate sobre as reformas necessárias, inclusive para articular politicamente com o Ministério Público que a vaga rotativa (entre as duas classes) seja exercida nesse modelo.


3) Propor o debate sobre se criar o Conselho Estadual da Justiça para gerir a Administração da Justiça, as questões burocráticas e disciplinares, de maneira que os Juízes sejam liberados para tratar da área-fim: andamento aos feitos e julgá-los.
4) Previsibilidade, pedra angular da segurança jurídica. Trabalhar para organizar e sistematizar os temas jurídicos decididos e suas definições, conforme o banco de Acórdãos do Tribunal e dos Tribunais Superiores, sem prejuízo de análises posteriores de casos singulares, conforme suas peculiaridades, que destoem dos padrões preestabelecidos.
5) Fundamentação de acordo com o padrão da Corte Interamericana de Direitos Humanos: repostas aos fatos, provas e argumentos de todas as partes. Com isso, será aprimorada a transparência e eliminada a necessidade dos Embargos de Declaração – as partes irresignadas poderão recorrer diretamente ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal.
6) Revisão dos valores das custas e emolumentos, mediante estudos de matemática financeira a partir dos dados existentes (custos, demanda e recursos), inclusive para se estabelecer a diferenciação entre as taxas para o Processo Eletrônico e para o Processo Físico (cf. ADI 4428).
7) Apoiar, colaborar e reforçar as boas práticas e o pioneirismo do Tribunal de Justiça: informatização; pauta zero; Justiça na Praça; Justiça itinerante; planejamento estratégico; etc.
8) Encampar o debate proposto pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) – o qual teve origem na AMARN e AMPB – para que a escolha dos dirigentes do Tribunal de Justiça seja realizada por meio de eleição direta pelos Juízes(as). Nesse trabalho, ampliar as discussões para pensar sobre a possibilidade de a Advocacia, o Ministério Público e Servidores(as) do Judiciário participarem do processo eleitoral.*
Fortalecimento9) Valorização da Advocacia, que é condição sine qua non para fortalecer o sistema de Justiça. Respeito às prerrogativas e combate ao aviltamento de honorários. Gabinete acessível. Atenção e participação quanto aos debates e reivindicações da Advocacia.
10) Contribuir para ampliar os diálogos com as instituições e entidades de classe do sistema de justiça. E, para estreitar as relações com a Advocacia, Ministério Público, Procuradorias, Defensoria e Assessorias Jurídicas, Servidores, Secretaria de Justiça e Cidadania, bem como respectivas associações e sindicatos.
11) Trabalhar para ajudar a concretizar ainda mais a autonomia administrativa e financeira, a fim de que o orçamento do Tribunal de Justiça seja respeitado e não seja limitado ao patamar de menos de 6% da arrecadação, mediante uma maior intercomunicação com os Poderes Executivo e Legislativo.
Eficiência12) Disponibilização do voto com, no mínimo, 48h de antecedência à Sessão de julgamento, para conhecimento dos demais Desembargadores e dos Advogados, de maneira que seja dispensada a leitura, agilizando-se o julgamento e garantindo o debate apenas dos pontos de vistas que os Advogados e Desembargadores possam lançar.
13) Contribuir para realizar um diagnóstico dos gargalos e deficiências de ordem funcional, operacional e de infra-estrutura. Utilização dos estudos, relatórios e dados da OAB, do CNJ e da Corregedoria do Tribunal, bem como da ESMARN, da Academia e do Ministério da Justiça (Observatório da Justiça Brasileira). Ajudar no enfrentamento dos problemas diagnosticados. Colaborar com o aperfeiçoamento do ESAJ, PROJUDI e sistema Push, ouvindo os reclamos e sugestões da Advocacia.
14) Trabalhar para que o pauta zero se estenda ao Primeiro Grau efetivamente. Formação de 3 equipes de Juízes e Servidores para auxílio às Comarcas e Varas, que realizarão mutirões. Serão dimensionadas de acordo com as possibilidades e capacidades, bem como atuarão de acordo com prioridades estabelecidas a partir do grau de morosidade diagnosticado.
15) Realizar processo seletivo simplificado para escolha dos cargos e funções que compõem o Gabinete, a exemplo da Procuradoria Geral de Justiça.
16) Realizar programa de qualidade no atendimento e prestações, a exemplo da Justiça Federal. Mediante capacitações, estabelecimento de rotinas e padrões mais úteis e ágeis (antes, durante e depois do atendimento), bem como valorização dos servidores e do ambiente de trabalho.
Se você conhecer mais sobre o candidato, fazer-lhe perguntas ou apresentar novas propostas, participe da twitcam desta noite, a partir das 19h.


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