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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#25S: Um espectro ronda as nações

Duas semanas atrás participei, na UFRN, do 9o ENEDS. A mesa da qual tomei parte tinha como tema o uso de tecnologias da informação por parte dos movimentos sociais. A parte que me cabia dizia respeito ao #ForaMicarla.
Evidentemente não é possível pensar no #ForaMicarla desconectado dos processos globais que levaram as juventudes às ruas, mobilizados pelas redes sociais.
Não foi a primeira vez que participei de uma mesa para falar sobre os movimentos de rua mais recentes em Natal. Gosto ilustrar minha fala com votos e vídeos, especialmente do Movimento #15M/Indignados da Espanha e da ocupação da Câmara em Natal - gosto de um em que Dayvsoon Moura anuncia, com auxilio de um megafone e de um jogral, que o STJ havia decidido por cassar a ordem de desocupar a Câmara, com o oficial de justiça e a PM já na porta. Emocionante.
No debate que se seguiu no ENEDS - não deu tempo de falar da #RevoltadoBusao -, fui perguntado, quase inquirido, acerca do porquê os movimentos de Internet têm tanta dificuldade em sair às ruas. Não sei dizer nem se isso é verdade, mas respondi que para que os movimentos vão às ruas algumas questões devem estar presentes: o tema da manifestação deve fazer sentido e ser relevante para uma parcela considerável da população e os movimentos sociais convencionais devem estar articulados, presentes e nunca esquecidos.
Voltei a me lembrar disso quando vi as fotos do protesto #25S, ontem, na Espanha, quando os estudantes tentaram invadir o Parlamento. O tema é relevante, os movimentos estão articulados e nas ruas.
Lembrei-de que um espectro de uma revolução global ronda as nações. As forças da ordem vão se levantar com energia para impedí-lo. O Cel. Araújo, assim como nós, é uma pequeníssima parte disso tudo.

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