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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Operação Assepsia: Governadora tinha compromisso com Associação Marca

Na última sexta-feira, dia 27, o ex-secretário de saúde do estado, Domício Arruda, prestou depoimento ao Ministério Público estadual, parte das investigações da Operação Assepsia.
Domício explicou que todas as decisões relativas à contratação da Associação Marca para gerir o Hospital da Mulher foram tomadas com a presença da governadora Rosalba Ciarlini e o aval jurídico do Procurador Geral do Estado, Miguel Josino.
Arruda contou que com o agravamento da crise no Hospital Walfredo Gurgel, manteve contato com a Cruz Vermelha, através do representante Edmont Silva, que já tinha uma experiência de gestão de unidades hospitalares na Paraíba.  Domício Arruda foi, então, visitar o hospital administrado pela Cruz Vermelha em João Pessoa.
Foi realizada, após isso, uma reunião na governadoria para tratar sobre uma solução para administrar o Walfredo Gurgel.  Da reunião, participaram Edmont Silva e Daniel Gomes (o dono da Toesa e ligado ao ITCI, que se apresentou como consultor também da Cruz Vermelha), além do então secretário, sua adjunta e a governadora Rosalba Ciarlini.  O encontro discutiu o modelo de terceirização, que já havia sido implantado em João Pessoa, e que dependia, como sempre nesses casos, da decretação do estado de emergência e da aprovação de uma lei estadual sobre as Organizações Sociais.
Aqui vale um parêntese.  Ainda depois da deflagração da Operação Assepsia, o governo do estado decretou estado de emergência na saúde.  Aparentemente, por muito pouco a máfia das organizações sociais não se aproveitou do momento para tomar conta do estado.  Aliás, devemos destacar a aprovação e sanção pela governadora da lei que permite ao estado fazer contratos de gestão com OS para diversos outros serviços, que não a saúde.  Porta aberta à corrupção.
No encontro na governadoria, Rosalba pediu, segundo o ex-secretário, que fosse feita uma reunião, quinze dias depois, com a presença da assessoria jurídica do estado.  "Entre as reuniões foi apresentada a matéria no Fantástico com denúncias sobre algumas empresas no Rio de Janeiro no âmbito da saúde, entre elas, a Toesa", disse Domício.  Apesar disso, a negociação com Daniel Gomes continuou e o dono da Toesa participou da segunda reunião com a governadora Rosalba Ciarlini.  Este novo encontro aconteceu na Secretaria de Planejamento, com a presença dos mesmos participantes da primeira reunião, além do Procurador Geral do Estado, Miguel Josino, José Marcelo, Alexandre Magno Souza, do secretário de planejamento Oberi Rodrigues e e um consultor da Paraíba, não identificado por Domício Arruda.
Nessa reunião, diz Domício, ficou claro que não poderia haver contratação sem que houvesse o projeto de lei das OS, que já estava sendo redigido.
Domício Arruda diz, ainda, que foi feito um convite verbal para que a Associação Marca administrasse o Hospital da Mulher em Mossoró e que este convite teve o aval de Miguel Josino.  "Miguel Josino afirmou que poderia ser feito um convite a uma OS para fazer um contrato emergencial de seis meses, para depois ser feita uma licitação", explica o ex-secretário, que diz, também, que esta orientação foi confirmada pelo PGE em seu parecer oficial emitido no processo.
Rose Bravo e Maninho foram conhecer o hospital em Mossoró e garantiram ter condições de fazê-lo funcionar em 45 dias.  Domício Arruda confirma, em seu depoimento, que havia o compromisso do governo do estado em contratar a Associação Marca.  A Marca também apresentou a proposta financeira, que foi levada ao conhecimento da governadora, sendo aprovada.
Aliás, chama a atenção no depoimento do secretário, entre outras coisas, o fato de que ele confirma a assinatura do contrato em 29 de fevereiro e a inauguração do hospital apenas nove dias depois.  Ou seja, a Associação Marca já havia assumido a administração do Hospital da Mulher e preparado sua estrutura para o atendimento antes de haver um contrato assinado - o prazo, segundo os administradores da Marca, era 45 dias, não nove.
Outra coisa que se destaca do depoimento é o fato de que a governadora Rosalba Ciarlini participou de todas as decisões a respeito da contratação das OSs e, principalmente, do contrato da Associação Marca para gerir o Hospital da Mulher.  Rosalba, pessoalmente, esteve em pelo menos duas ocasiões discutindo a questão.
Domício também deixa claro que todo o processo teve a orientação jurídica por parte do Procurador Geral do Estado, Miguel Josino.  Mas não esclarece o que foi feito da ideia de a Cruz Vermelha, representada por Daniel Gomes da Toesa, administrar o Walfredo Gurgel.
Em resumo, se houve irregularidade, pode-se depreender da fala de Domício Arruda, as decisões foram da governadora, sob orientação do PGE.

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