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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Por que o Sindicato de Jornalistas se pronuncia para alguns e silencia com outros?

Um jornalista é funcionário da emissora de tevê da prefeita de Natal.  A outra recebe em publicidade R$ 12,5 mil mensais da prefeitura e é conhecida amplamente por defender os interesses da prefeita em seu espaço na blogosfera.
Ambos publicam uma nota em que tentam vincular a decisão do juiz da Fazenda Pública que concedeu tutela antecipada ao ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, inimigo pessoal da prefeita Micarla de Sousa, no caso das contas da gestão em 2008 a uma situação de apadrinhamento político.  A esposa do juiz, médica, teria um cargo comissionado na prefeitura de Parnamirim - comandada pelo mesmo PDT do ex-prefeito.
Evidentemente, a nota tinha uma pimenta política tentando pôr em dúvida a honestidade da decisão do juiz.
A AMARN se pronunciou veementemente condenado a ilação publicada pelos dois jornalistas.  Que se retrataram e tiveram que repor a verdade: a esposa do juiz é médica concursada do município de Parnamirim desde 1997, sem ocupar cargo de comissão.
O que surpreendeu foi a rapidez com que o Sindicato dos Jornalistas divulgou uma nota, assinada por sua presidente, em defesa dos dois jornalistas citados.  Não vemos a mesma veemência e rapidez em casos que ameaçam a liberdade de expressão de outros jornalistas.
Cerca de um ano e meio atrás o jornalista Alisson Almeida foi esmurrado por um secretário municipal que lhe era desafeto pelas críticas que o jornalista posta em seu blog contra a gestão da prefeita.  O Sindijorn até hoje não emitiu uma linha em solidariedade a Alisson.
Eu mesmo no início desde ano, como publiquei aqui nesse espaço, a partir de uma reclamação formulada por um representante da Assembleia Legislativa, terminei por ser punido no trabalho com um dia de suspensão - depois revertida em advertência escrita.  O assunto foi destacado em reunião do Conselho Estadual de Direitos Humanos, onde o Sindijorn tem assento.  Mas nenhuma linha foi emitida pelo Sindicato.
O jornalista Carlos Santos responde a quase três dezenas de processos movidos pela prefeita de Mossoró Fafá Rosado e não se conhece manifestação do Sindijorn em defesa de Carlos.
Duas impressões restam desse episódio.  Primeiro, que o Sindicato só se preocupa em defender os medalhões que podem lhe garantir sustentação política e visibilidade.  Em segundo lugar me chama a atenção que no episódio e no episódio de Alisson há um elemento em comum: a gestão municipal, dando a impressão de que o Sindicato preserva os jornalistas ligados a ela.  E se eu lembrar de que alguns deputados sobre quem eu publiquei denúncias - e que podem ter motivado essa representação da Assembleia contra mim no trabalho - são velhos aliados e apoiadores da prefeita de Natal (i.e, Gilson Moura e Dibson Nasser), o cenário fica ainda mais suspeito.

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