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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Filha de empreiteiro abre nova crise no Congresso

No Brasil 247

Se não bastasse a CPI do caso Cachoeira, a provável cassação do senador Demóstenes Torres e a relação de vários parlamentares da “bancada do cheque” com o empreiteiro Fernando Cavendish, da Delta, o Congresso se diante de mais um escândalo. Desta vez, o protagonista é o deputado João Bacelar (PR-BA), acusado de liderar um esquema de compra de emendas parlamentares. Quem faz a denúncia é justamente a ex-mulher do deputado, Isabela Suarez. E o que torna o caso ainda mais explosivo é o fato de Isabela ser filha de um dos empresários mais poderosos e discretos do País: o empreiteiro Carlos Suarez, que fundou a construtora OAS e também é dono da Controlar – a polêmica empresa que presta serviços de inspeção veicular em São Paulo, no Rio Grande do Norte e em outros estados [Aqui há um equívoco: a Controlar é investigada no RN mas não faz inspeção veicular no estado].

No jornal O Globo, Isabela acusou o ex-marido de comprar emendas de outros deputados. Entre os vendedores, estaria o deputado João Damasceno (PT-BA). Segundo ela, João Bacelar gastou mais de R$ 20 milhões em sua campanha, bem acima dos R$ 356 mil que foram declarados ao Tribunal Superior Eleitoral. Os recursos viriam de emendas parlamentares, negociadas por Bacelar junto a outros parlamentares. Um dos vendedores das emendas seria o deputado Geraldo Damasceno (PT-BA), que foi defendido pelo líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (PT-SP). “Eu confio no deputado, por sua história e sua forma de se comportar”.

O caso guarda semelhanças com um dos maiores escândalos da história do Congresso, que foi o dos “anões do orçamento”, em 1994. À época, vários parlamentares foram cassados e o mesmo pode se repetir agora. “O Conselho de Ética certamente vai apurar o caso”, disse o deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), que preside o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. “É despudorado, absurdo”, reforço o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-BA), que concorre à presidência da Casa no próximo ano. “Essas emendas têm que acabar”, completa o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).

João Bacelar, como se vê, é mais um parlamentar na marca do pênalti. Especialmente porque, após a separação, também perdeu o apoio do empreiteiro Carlos Suarez, dono de uma das maiores fortunas do País.

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