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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Ao colega jornalista Alex de Souza

Por Carlos A. Barbosa
http://blogdobarbosa.jor.br/?p=61502

Com todo o respeito ao jornalista Alex de Souza, a quem conheço e tenho apreço, até por ser filho de um grande amigo e também jornalista, Carlos de Souza, contemporâneo de bancos de faculdade, devo dizer que por ter tido o meu nome citado em um artigo escrito por ele – Alex – sob o título “Sobre blogs e jornalistas”, me sinto no dever de esclarecer algumas coisas.
Em primeiro lugar, não se trata de está com “raivinha”, mas apenas a título de discordar do que ele disse e colocar o que penso. Não me considero um “blogueiro”. Aliás, acho até essa palavra muito chula. Blogueiro necessariamente não é um jornalista, como eu, ele e o seu pai somos. Qualquer um pode fazer um blog, não é o meu caso, pode ter certeza. Sou jornalista com diploma, assim como Carlos de Souza o é, e Alex de Souza também, embora ele – Alex – opine que para ser jornalista necessariamente não tenha que ter diploma. Pena que só tenha pensado isso após formado. Sua vaga poderia ter sido de outro jornalista.
Outra: O jornalista Alex de Souza afirma que “a necessidade de se ‘produzir conteúdo’ cada vez mais rápido para alimentar blogs, portais e quetais vem matando a galinha dos ovos de ouro ideológico do jornalismo: o ‘compromisso com a verdade dos fatos’”.

E completa:
- Que fatos: aqueles repassados pela assessoria sobre um assunto que você nem entende, nem tem tempo de ir atrás de alguém que lhe explique o que significa? Ou aquele que explode na sua caixa de e-mail ou do outro lado do seu celular e que você precisa publicar o quanto antes, mas o ideal seria levantar seu rabinho da cadeira e dar uma volta para verificar a informação?
Sem redundância, mas isso não é verdade. Por acaso uma informação que conste no site do Tribunal de Justiça, do Ministério Público ou do Tribunal de Contas, que com a velocidade da internet se antecipa a mídia nativa, deixa de ter credibilidade? É preciso tirar o “rabinho da cadeira” para checar se a informação tem veracidade, neste caso?
Uma informação que conste no meu blog, outro exemplo, e que os jornalistas Ricardo Noblat, Luís Nassif e Luiz Carlos Azenha venham a publicar em seus blogs deixa de ter o “compromisso com a verdade dos fatos”, se sequer eles tiraram o “rabinho da cadeira”, ou ao menos enviaram e-mail para checar a informação? Aliás, publicações minhas e de Daniel Dantas Lemos, outro jornalista blogueiro, e citado também no texto do jornalista Alex de Souza, já foram publicadas por estes jornalistas e não foram desmentidas depois. É bom ressaltar!
O jornalista Alex de Souza coloca ainda que “no geral, há, no clubinho dos profissionais da imprensa, uma visão negativa e excludente em relação aos blogs de cunho jornalísticos e àqueles que os fazem mesmo sendo de fora da turma. No RN, essa animosidade contra o BG (blog de Bruno Geovani) e o comportamento institucional do sindicato da categoria são indícios desse comportamento. Talvez seja uma reação ao ambiente de instabilidade e incerteza instaurado pela explosão do acesso às redes digitais. O mais evidente deles é em relação à receita que mantém os veículos e paga o salário da galera. Se esse dinheiro for parar em outros cantos e se pulverizar, quem vai segurar a onda?”
Sobre isso devo dizer que não faço jornalismo de secos e molhados. Sempre pautei a minha vida profissional ao longo de quase 30 anos de labuta na ética e na seriedade. Quem me conhece, caso do jornalista Carlos de Souza, com quem tive a grata oportunidade de trabalhar no Diário de Natal, sabe perfeitamente disso.
No entanto, esclareço ao nobre jornalista Alex de Souza, que certamente não me conhece tão bem quanto o seu pai, que mantenho o meu blog com parcos anúncios privados. Aliás, desde que criei o blogdobarbosa a política foi a de não aceitar anúncios institucionais, pois se quisesse com toda certeza os teria. Como penso que jornalismo que não incomoda é chapa branca, daí adotar essa política. Portanto, não temo nenhum “ambiente de instabilidade” na blogosfera, se essa instabilidade depender de dinheiro público. E nem de dinheiro privado. Passei os primeiros três anos do blog sem nenhum anunciante. O blog vai fazer cinco anos em agosto.
Quanto a posição do Sindicato dos Jornalistas entendo que está no direito de defender a classe. Se fulano ou cicrano mantém um blog e não é jornalista, é blogueiro, por que o sindicato deveria defendê-lo?
Ah, antes que esqueça. Todos os dias posto um Editorial – que não é release – sobre determinado assunto que acho interessante falar. Entendo o blog como um canal de discussão, até porque a internet proporciona isso, a interatividade com o leitor. Também devo dizer que como jornalista mantenho minhas fontes. O que escrevo, a depender do assunto, e como manda a regra do bom jornalismo, ouço pelo menos três fontes.
Quanto a produzir conteúdo ou entulhar conteúdo não preciso provar nada a ninguém, até porque não tenho mais idade pra isso.

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