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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Operação Sinal Fechado: George Olímpio deu R$ 100 mil a Osvaldo Cruz

Em abril de 2011, o desembargador Saraiva Sobrinho remeteu um agravo que o Consórcio Inspar apresentou ao TJ, alegando interesse federal na questão da inspeção veicular - a partir de um parecer do Ibama comprado ao técnico, por George Olímpio, no valor de R$ 100 mil.
Naquela mesma semana, uma conversa entre Alcides Barbosa e Marcos Doninelli, guru gaúcho responsável por "trabalhos espirituais"em favor de George e Marcus Vinícius Furtado (antes, Micarla e Miguel Weber foram seus clientes), foi interceptada pela investigação em curso pelo ministério público.  Essa conversa é esclarecedora de todo o esquema, já que os interlocutores fazem uma espécie de resumo de todos os fatos relacionados à organização liderada por George Olímpio.
Em seu depoimento em colaboração premiada, Alcides Barbosa explica que queria vender suas cotas do Consórcio Inspar porque contava com os R$ 600 mil do negócio para quitar dívidas.
Na conversa com Doninelli, Alcides diz em tom de ameaça que, se George não lhe der dinheiro, o agravo concedido no TJ por Saraiva vai sair pela culatra, porque participou da reunião na sala do desembargador e sabe o que aconteceu por lá. Ele ameaça, na gravação abrir o jogo e dizer que "desembargador tal levou bola".
Alcides esclarece a história e diz de que desembargador falava.
Estando em Natal na luta para reverter o cenário negativo em que se encontrava o negócio da inspeção veicular, Alcides acompanhou um grupo, liderado por Gilmar e George, em visitas a desembargadores no TJ.  Segundo Alcides, quatro desembargadores foram visitados.  No TJ, o paulista não acompanhou a ida aos gabinetes para evitar constrangimentos.  Foram três, dos quais ele identifica dois: Saraiva Sobrinho e Expedito Ferreira.  De lá, foram ao apartamento de Osvaldo Cruz.
Na saída do apartamento, George comenta que se a questão dependesse de Osvaldo, era tranquilo, uma vez que George já dera R$ 100 mil para o desembargador.  
Esse fato combina com a conversa travada entre Gilmar e George no dia em que foi anunciado o cancelamento do contrato de inspeção pelo governo, em 9 de fevereiro de 2011.  Enquanto George viajava para Brasília, para se encontrar com José Agripino e José Delgado, Gilmar diz que Osvaldo o chamou para uma conversa.
Não deve ser à-toa, então, que um circo de horrores se montou esta semana, poucos dias antes do julgamento de Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro no CNJ, que ocorre na segunda-feira.  A Procuradoria-Geral do Estado instigou um bancário preso na Operação Judas, que tem o filho de Armando Holanda como advogado, a processar o MP, que reagiu com uma nota dura contra o PGE.  O mesmo PGE publicou texto questionando o instituto da delação ou colaboração premiada.  No fim da semana a defesa de Osvaldo Cruz questiona a integridade das provas contra seu cliente na Operação Judas com base em um laudo grafotécnico feito sobre uma xerox.
As provas e indícios contra Osvaldo - mas não somente contra Osvaldo, como também Rafael, Expedito e Saraiva se avolumam.  É melhor tentar desqualificar tudo e jogar a opinião pública contra o Ministério Público para evitar que as investigações cheguem a bom termo.
E ninguém fala mais - ou questiona - os cheques pagos a José Agripino...  Muito menos a confirmação tácita feita por Cassiano Arruda a este blogueiro acerca dos trechos da delação de Alcides que referem o jornalista - inclusive de que este sabia que José Agripino recebera doação de R$ 1 milhão de George para defender os interesses do Inspar.

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