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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

A guerra de versões entre a Globo e o Globo

Por Weden
No Luís Nassif Online

As duas "teses" da grande imprensa (a partir da matéria da Veja) sobre o suposto "crime de chantagem" praticado por Lula contra Gilmar Mendes foram desmentidas, ontem, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal em entrevista para a Globo.

As declarações ganharam edições distintas.

As teses eram: 1) Lula pediu o adiamento do julgamento do "mensalão"; 2) Em troca, ofereceu blindagem a Gilmar Mendes.

O problema é que, no jornalismo, quando se quer sustentar a propaganda, até a notícia é sacrificada.

Vamos à decupagem do Jornal Nacional:

“Não houve nenhum pedido específico do presidente em relação ao mensalão. Manifestou um desejo, eu disse da dificuldade que o tribunal teria. Ele não pediu a mim diretamente. Disse: ‘O ideal era que isso não fosse julgado’. Então eu disse: ‘Não, vamos torcer para que haja um julgamento, e é tudo que o tribunal quer, e essa é a minha posição em matéria penal, é muito conhecida.”

Ou seja, uma conversa comum. Lula expressou o desejo de que o julgamento não fosse esse ano. Gilmar manteve sua opinião de que deveria ser logo.

Cadê a pressão? Cadê o pedido de adiamento?

Já na Globonews, Gilmar diz textualmente que não houve oferta de blindagem. Vamos às transcrições:

(A repórter pergunta): "Em algum momento (houve) a situação realmente de oferecer uma blindagem em relação às investigações que ocorrem no caso Carlinhos Cachoeira?"

(Resposta de Gilmar): "Não. Isso não se coloca dessa forma".

Ao final do texto, a matéria do JN reafirma: "Os ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski confirmaram que tiveram encontros com o ex-presidente Lula, mas negaram ter sofrido qualquer tipo pressão por parte dele."

Exatamente o que diz a nota de Lula, que não negou o encontro, não negou a conversa, mas não confirma nem oferta de blindagem e nem pedido de adiamento.

Mas...

No dia seguinte, vem o Globo e mancheta:

"Guerra de versões entre Lula e Gilmar desafia CPI e Supremo".

Manteve-se a propaganda. Sacrificou-se a notícia.

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