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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#Caixa2doDEMnoRN: As redes sociais são as caixas sonoras da sociedade, que o diga o Caixa 2 de Rosalba

Carlos A. Barbosa

Todo o cuidado é pouco hoje em dia principalmente em se tratando de político, ou da política, melhor dizendo. As redes sociais são as caixas sonoras da sociedade e estão atentas ao que está a sua volta repercutindo tudo no mundo virtual.

Nesta quarta-feira (30) mais uma prova cabal do que estou a dizer foi configurada. Por aproximadamente uma hora, a hashtag #Caixa2doDEMnoRN liderou o ranking do Twitter no Brasil.

As gravações das interceptações telefônicas realizadas pelo Ministério Público Estadual, com autorização judicial, sobre um suposto esquema de Caixa 2 da então candidata ao Senado, Rosalba Ciarlini – hoje governadora do RN-, nas eleições de 2006,  publicadas no blog De olho no discurso, do jornalista Daniel Dantas Lemos, e repercutidas aqui neste espaço, e ignoradas pela mídia tradicional, ganharam visibilidade nacional e o tuitaço pode ter ajudado a furar o bloqueio que apenas blogs tinha tido a coragem de romper, como bem disse o próprio Daniel Dantas.

E embora o advogado Felipe Cortez, que atua na defesa da governadora Rosalba Ciarlini, do seu marido Carlos Augusto Rosado, e do secretário-adjunto da Casa Civil Francisco Galbi Saldanha, afirme que todos os seus clientes estão tranquilos, pois que, o MPE e o Ministério Público Federal, que atua nas questões eleitorais, teriam arquivado a investigação por não terem encontrado nada de relevante, não foi isso que o MPE e o MPF informaram ao jornalista.

E é verdade: Em nota divulgada na quinta-feira (24) passada, o MP disse que,  "diante do conteúdo de algumas gravações presentes nos relatórios do terminal de uma das pessoas interceptadas, o juiz competente autorizou, como determina o art. 40 do Código de Processo Penal brasileiro, a remessa dos relatórios e áudios a outros órgãos do Ministério Público com atribuição para apurar outros possíveis ilícitos sem conexão com o homicídio investigado. Alguns desses áudios foram remetidos ao Procurador Geral da República, a quem cabe, se for o caso, esclarecer os encaminhamentos ulteriores adotados".  Ou seja, não houve arquivamento.

Mas Daniel diz ainda que na segunda-feira (28), conversou com a assessoria de imprensa do Ministério Público Federal.  A assessoria informou que, mesmo se tratando de ação eleitoral, o assunto, quando recebido pelo Ministério Público Eleitoral no RN, foi inteiramente encaminhado para a Procuradoria Geral da República, por se referir a três personagens com foro especial.  Até porque fica ligado ao procurador geral da República a Procuradoria Geral Eleitoral que, se fosse o caso, poderia ajuizar a questão.  No âmbito no MPF, portanto, não houve arquivamento.

E mais, diz ele:

- Desde a segunda-feira estou em contato com a Assessoria de Imprensa da Procuradoria Geral da República.  A Assessoria não havia ainda conseguido informações sobre o caso.  Na pesquisa no sistema interno não foram encontradas informações.  O que pode significar que o caso corre em sigilo.  A consulta foi repassada para a mesma subprocuradora que é responsável pelas investigações da Operação Sinal Fechado.  Não há confirmação de arquivamento.

Finalizando as informações, Daniel Dantas lembra que o crime de Caixa 2 em campanha eleitoral é descrito no artigo 350 do Código Eleitoral, que diz que: o crime só prescreve em doze anos, se o máximo da pena é superior a quatro anos e não excede a oito. Que é o caso do suposto Caixa 2 de Rosalba.

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