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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#Caixa2doDEM: A altivez de @joseagripino

No Blog do Barbosa
(http://blogdobarbosa.jor.br/?p=59629)


Me surpreende a altivez do presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN) ao assinar uma representação criminal junto a PGR (Procuradoria Geral da República) contra o ex-presidente Lula, para que se averigue a suposta interferência do ex-chefe do Executivo nas denúncias do Mensalão baseada em reportagem da revista Veja, de que Lula teria oferecido proteção na CPI do Cachoeira ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes em troca de gestões junto aos colegas para adiamento do julgamento do Mensalão pela Corte Suprema.
No site do senador consta as seguintes declarações:
- Estamos entrando com uma representação criminal para passar a limpo esta história, para ver se essa denúncia procede. Não podemos permitir que uma instituição como o Supremo Tribunal Federal seja afrontada. Se comprovada, vai ficar claro o que todo mundo já sabe: o PT não quer que o mensalão seja investigado. O objetivo da representação é para que a Procuradoria Geral da República possa se manifestar diante de denúncias gravíssimas. A sensação de todo mundo é de indignação. O país não pode aceitar uma provocação desta natureza de quem quer que seja.
É de estranhar essas declarações, pois que Agripino Maia figura em denúncias de Caixa 2 ainda na época em que a hoje governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, do seu partido, era candidata ao Senado nas eleições de 2006, que por sinal acabou se elegendo. Denúncias essas que partiram do Ministério Público Estadual em gravações interceptadas com autorização judicial e enviadas ao Ministério Público Eleitoral e à própria PGR, que em 2009 acabou arquivando o processo, embora com indícios de que houve irregularidades. Assim como o parlamentar afirma, também acho que é hora da PGR se manifestar diante de denúncias igualmente gravíssimas, no caso do Caixa 2 de Rosalba. Falta ser esclarecido o arquivamento desse processo.
Não só isso: Agripino Maia figura em denúncias da Operação Sinal Fechado como tendo recebido R$ 1 milhão de um esquema fraudulento montado dentro do Detran do Rio Grande do Norte, dinheiro esse destinado à sua reeleição. Ele nega, mas o assunto já subiu também à Procuradoria Geral da República, tendo em vista que como envolve também dois togados da corte de Justiça potiguar, além do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a denúncia está sobre a mesa do procurador-geral da República Roberto Gurgel.
Não se deve fazer qualquer tipo de pré-julgamento, mas, assim como Agripino Maia acha que “a sensação de todo mundo é de indignação” com a matéria da Veja, o mesmo se pode dizer, senador, do povo potiguar em relação ao Caixa 2 de Rosalba e da Operação Sinal Fechado. Haja vista a repercussão desses assuntos nas redes sociais.
Aliás, antes que alguém possa dizer que as denúncias do Caixa 2 de Rosalba foram ainda de 2006, não custa lembrar que o ministro Marco Aurélio, do STF, ao dar entrevista ao jornal O Globo, fez os seguintes questionamentos:
- Ficou no ar um descompasso, porque o ministro Nelson Jobim negou peremptoriamente o teor do encontro. Com quem está a razão? Quem sou eu para dizer com quem está a verdade?- Outra coisa que não fechou foi por que só agora veio à tona (o encontro) – disse, referindo-se à data do encontro, em 26 de abril.
É o caso de se perguntar também o por que de só agora terem vazados os áudios do MP sobre o Caixa 2 de Rosalba, e o por que também da PGR ter arquivado um processo com denúncias tão graves?

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