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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Recordar é viver: de como Arruda deu R$ 150 mil a José Agripino e Micarla, entre outros

A matéria é de março de 2011.

Após passar um bom tempo longe dos holofotes, o ex-governador José Roberto Arruda (sem partido) concedeu entrevista à revista "Veja", publicada na tarde desta quinta-feira (17), em que afirma ter usado seu posto de "único governador do DEM" para sensibilizar empresários a fazer doações eleitorais para colegas de sigla e até para políticos de outros partidos.

Expulso do DEM e demissionário do governo após a Operação Caixa de Pandora, que descobriu um esquema de corrupção no Distrito Federal que o deixou preso por dois meses, Arruda explicou que não pode garantir que as verbas arrecadadas eram declaradas. "Isso somente o presidente do partido pode responder. Se era oficialmente ou não, é um problema do DEM. Eu não entrava em minúcias. Não acompanhava os detalhes, não pegava em dinheiro. Encaminhava à liderança que havia feito o pedido", disse ele.

O ex-governador disse ainda que tinha um "excelente relacionamento com os grandes empresários" e que usou essa influência  "para ajudar meu partido, nunca em proveito próprio". Como ele alegou, o processo funcionava assim: "Pedia ajuda a esses empresáriosl. Dizia: 'Olha, você sabe que eu nunca pedi propina, mas preciso de tal favor para o partido'. Eles sempre ajudaram. Fiz o que todas as lideranças políticas fazem", argumentou na entrevista, publicada no final da tarde de hoje no portal da "Veja".

Agripino e Demóstenes

Entre os beneficiados com o esquema, disse Arruda, estão políticos de renome, muitos apontados por ele como "desleais" e hipócritas – ao confirmar o adjetivo sugerido pelo entrevistador. "Os senadores Demóstenes Torres e José Agripino Maia (novo presidente do DEM), por exemplo, não hesitaram em me esculhambar. Via aquilo na TV e achava engraçado: até outro dia batiam à minha porta pedindo ajuda!", afirmou.

Arruda disse à "Veja" que, em 2008, o senador Agripino foi até a sua casa pedir R$ 150 mil para a campanha da sua candidata à prefeitura de Natal, Micarla de Sousa (PV). "Eu ajudei, e até a Micarla veio aqui me agradecer depois de eleita."

O senador Demóstenes também o teria procurado, solicitando a contratação de uma empresa de cobrança de contas atrasadas. "O deputado Ronaldo Caiado, outro que foi implacável comigo, levou-me um empresário do setor de transportes, que queria conseguir linhas em Brasília", enumerou ele, que ainda citou o ex-presidente do DEM, Rodrigo Maia. "Consegui recursos para a candidata à prefeita dele e do Cesar Maia no Rio, em 2008. Também obtive doações para a candidatura de ACM Neto à prefeitura de Salvador."

Segundo Arruda, ele também fazia outros favores, como "nomear afilhados políticos, conseguir avião para viagens, pagar programas de TV, receber empresários."

"Dancei a música que tocava no baile"

Arruda afirmou que um dos poucos políticos que nunca ajudou é o prefeito paulistano Gilberto Kassab (DEM). O ex-governador também, indiretamente, assumiu ter praticado ilicitudes no cargo. Ao ser indagado se seria corrupto, ele alegou que, "infelizmente, joguei o jogo da política brasileira".

Segundo ele, as empresas e os lobistas ajudam nas campanhas para terem retorno, por meio de facilidades na obtenção de contratos com o governo ou outros negócios vantajosos. "Ninguém se elege pela força de suas ideias, mas pelo tamanho do bolso. É preciso de muito dinheiro para aparecer bem no programa de TV. E as campanhas se reduziram a isso", afirmou.

Ajuda ao PSDB, "com a melhor das intenções"

Por fim, o ex-governador disse ainda que, "por amizade e laços antigos", ajudou o PSDB "sempre que o senador Sérgio Guerra, presidente do partido, me pediu". Segundo ele, sempre "por meio de Eduardo Jorge", a ajuda era dada "com a melhor das intenções."

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