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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Quando um Judas cruza com o #ForaMicarla

Por Alisson Almeida

http://embolandopalavras.com.br/destaques/carla-ubarana-atravessa-caminho-de-micarla-tce-ve-indicios-de-fraude-em-precatorio-da-prefeitura-de-natal/

Não vi muita repercussão sobre essa matéria na blogosfera. Na edição de quinta-feira (5) da Tribuna do Norte, os repórteres Isaac Lira, Júlio Pinheiro e Ricardo Araújo revelaram que o Tribunal de Contas do Estado encontroou indícios de fraude num acordo firmado pela Prefeitura de Natal com o Tribunal de Justiça e a Henasa Empreendimentos Turísticos.

O acordo teria resultado num prejuízo de R$ 22 milhões aos cofres municipais. De acordo com a apuração dos repórteres, o município, através do procurador-geral Bruno Macedo, celebrou um ajuste com a Henasa para pagar um precatório que deveria custar, no máximo, R$ 72 milhões, segundo cálculos do TCE, mas que terminou sendo calculado equivocadamente em R$ 191,22 milhões.

O procurador-geral não questionou o cálculo feito pela então chefe da Divisão de Precatórios do TJRN, Carla Ubarana, fixando o valor do precatório em R$ 191,22 milhões, mas acordou com a Henasa a redução do débito para R$ 95,6 milhões, a serem pagos em 10 parcelas anuais de R$ 5 milhões a partir de março de 2010 e parcelas mensais de R$ 380.102,91.

Os técnicos do TCE desconfiaram da rapidez com que se deu o acordo entre o município e a Henasa. Além disso, a falta de comunicação oficial entre a Prefeitura, o TJRN e o advogado da Henasa.

O processo do precatório ficou parado durante anos, até que em 2002 o município questionou os valores e apresentou novo parecer contábil. Em 2008, com a entrada  do advogado Fernando Caldas Filho representando a Henasa, as coisas andaram rapidamente.

Ainda segundo a matéria da TN, em fevereiro de 2009, sem qualquer comunicação oficial do TJRN, Bruno Macedo solicitou diretamente a Carla Ubarana a informação sobre o valor atualizado do precatório. Em março do mesmo ano, o desembargador Rafael Godeiro, então presidente do TJRN, solicitou a atualização do precatório, fixado finalmente em R$ 191,22 milhões.

(Nota do blog: sobrinho do desembargador, o jovem João Paulo Godeiro é filiado ao Partido Verde e tinha o nome ventilado, na ocasião em 2009, para ser candidato a vereador pelo partido na capital este ano. Motivos suficientes para aumentar a suspeita sobre o desembargador?)

Carla Ubarana, como os leitores do blog devem saber, era a chefe da Divisão de Precatórios do TJRN. Ela foi presa durante a Operação Judas sob acusação de desviar milhões de reais do setor. Em depoimento ao Ministério Público, Ubarana revelou que os desembargadores Rafael Godeiro e Osvaldo Cruz teriam sido co-autores da fraude.

Em resposta à Tribuna do Norte, o procurador-geral Bruno Macedo negou haver irregularidades no processo do precatório, como sustenta o Tribunal de Contas do Estado. Ele argumentou que o município não teve participação no cálculo do valor do precatório, que passou de R$ 17 milhões em 1995 para R$ 191,22 milhões em 2009. O valor, observou, foi determinado pelo TJRN – ou seja, pela chefe do setor responsável, Carla Ubarana.

Bruno Macedo alegou, ainda, que, neste processo, o município não estava sendo representado pela Procuradoria-Geral. O trabalho ficou a cargo de um escritório de advocacia particular contratado anteriormente. O procurador-geral afirmou também que a comissão especial do TCE que investiga os precatórios cometeu "vários equívocos".


Comentários

  1. Acho que a pouca repercussão deve-se basicamente ao fato do entendimento a respeito do fato, não é muito fácil, em virtude de envolver órgãos e uma rede de pessoas em tramas comuns na nossa política brasileira, que acabam confundindo as cabeças das pessoas. Assim, muita gente perde o interesse de ler e divulgar. (será isso?)

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