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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

@peresfilho será secretário?

A indicação do promotor de defesa do consumidor e ex-procurador geral de justiça, José Augusto Peres, para o secretariado da governadora Rosalba Ciarlini, se reveste de debate e polêmica. Vários aspectos têm sido levantados nessa discussão. Peres foi indicado pelo PR e, segundo consta, pensa em aceitar o cargo titular da Secretária de Cidadania, Interior e Justiça - vaga desde a saída de Fábio Holanda, presidente municipal do PR e cada dia mais envolvido nas questões referentes ao pagamento de precatórios do Tribunal de Justiça do RN.

Um promotor de justiça pode ocupar um cargo político assim? O Supremo Tribunal Federal entende que não, mas o Conselho Nacional do Ministério Público não vê impedimentos - desde que seja aprovado pelo órgão local de procuradores do MP.

Veja o que diz Maria Sylvia de Zanella di Pietro, no seu livro Discricionariedade Administrativa (evidentemente a citação me foi encaminhada por um leitor):

A nomeação de membro do Ministério Público para a ocupação de cargo em comissão viola o "mínimo da ética" a que está sujeita a Administração Pública: tome-se o seguinte exemplo concreto: a Constituição prevê a possibilidade de nomeação, sem concurso, para cargos em comissão declarados, em lei, de livre nomeação e exoneração; supondo-se que, para determinados cargos, não haja evidência nem restrição específica, o Poder Executivo terá um amplo de opções, todas elas válidas perante o direito. Mas, se a sua escolha recair sobre um membro do Ministério Público, por exemplo, estarão solapadas as próprias bases dessa instituição, que não pode, com a necessária independência e isenção, exercer uma função essencialmente política, de confiança do Chefe do executivo, cujos atos podem vir a ser objeto de denúncia perante a mesma instituição. O execício de função política pelos membros do MP fere a moral administrativa que coloca em dúvida a credibilidade de uma instituição que existe para proteger a sociedade contra qualquer tipo de atos ilícitos contra ela praticados. Quem atuará em nome da sociedade contra os atos ilegais praticados pelo Poder Executivo, quando aquele que a devia proteger exerce função de confiança deste último?
No momento em que o Estado atravessa uma crise sem precedentes de gestão e de escândalos de todos matizes, cabe ao Ministério Público encerrar esforços para o fortalecimento das instituições e o esclarecimento de todas as denúncias trazidas a público. Não pode haver dispersão nem dúvida quanto ao papel institucional de cada órgão.
Por fim, em considerando que a decisão cabe exclusivamente ao promotor e ao aval do MP, relembro o que disse nesta manhã através do twitter: será curioso, no mínimo, ver Peres servindo ao governo do DEM, ele que é odiado por um dos dois vereadores do partido na capital, Enildo Alves.

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