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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Operação Judas: UOL noticia, com atraso, venda de sentenças no TJ-RN

O texto abaixo, do UOL, publicado hoje, me parece um pouco confuso.  Atribui à Raimundo Carlyle e a Mário Jambo a intercepção telefônica.

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2012/04/25/mp-denuncia-venda-de-sentencas-no-tj-rn-assessora-de-desembargador-e-acusada.htm

A 4ª Vara Criminal da Comarca de Natal acatou a denúncia feita pelo MP (Ministério Público Estadual) sobre a acusação de vendas de sentenças no TJ-RN (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte). As decisões seriam negociadas entre uma assessora direta do desembargador Rafael Godeiro Sobrinho e uma advogada.

Segundo a denúncia da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Natal, a assessora do desembargador, Ana Lígia Cunha de Castro, teria negociado a venda de uma liminar favorável à advogada Sônia Abrantes de Sousa no valor de R$ 15 mil. Ambas vão responder pelo crime de corrupção. Caso seja condenada, Ana Lígia pode também perder o cargo público.

A advogada era defensora pública e ingressou com pedido na Justiça para que continuasse no cargo depois que seu contrato acabasse. A ação solicitava ainda que ela fosse efetivada no cargo sem a realização de concurso público.

O MP afirmou que Ana Lígia, que é filha do juiz aposentado Lavoisier Nunes de Castro e amigo do desembargador Rafael Godeiro, teria dito a Sônia Abrantes que, devido à amizade dos magistrados, seria mais fácil a obtenção da sentença favorável ao cliente da advogada.

Apesar de a negociação ter existido, Sônia não conseguiu a liminar em seu favorecimento porque, segundo o MP, o processo foi distribuído e não ficou com Godeiro Sobrinho. A liminar foi negada pelo desembargador Caio Alencar, que participou da comissão de investigação realizada no TJ-RN sobre a fraude do pagamento de precatórios.

Interceptações telefônicas

O juiz Raymundo Carlyle, da 4ª Vara Criminal, decretou a quebra de sigilo bancário e de sigilo telefônico das denunciadas. Em uma das ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal e divulgadas pelo MP, Sônia Abrantes fala sobre a negociação entre ela e Ana Lígia e ainda revela valores. O caso teria ocorrido em 2008.

"A assessora do desembargador quer R$ 15 mil para ser dada a decisão", disse Sônia em um dos trechos da ligação telefônica interceptada pela Polícia Federal e autorizada pelo Juiz Federal Mário Jambo, da 2ª Vara Federal.

A descoberta ocorreu durante as investigações da Operação Judas, dentro da Divisão de Pagamento de Precatórios do TJ-RN, que apurou denúncias de desvio de pagamentos de precatórios.

Os desembargadores Rafael Godeiro Sobrinho e Osvaldo Soares da Cruz estão sob suspeita de participarem da fraude, que pagava valores a pessoas que não tinham sequer processo no tribunal. Segundo o TC (Tribunal de Contas), os pagamentos desviados feitos em nomes de laranjas somam o montante de R$ 13 milhões.

Sem posicionamento

Apesar da ação do MP de denúncia de sentenças envolver o nome de dois servidores do TJ-RN (desembargador Rafael Godeiro e a assessora Ana Lígia Cunha de Castro), o tribunal afirmou que não iria se posicionar sobre o caso.

Em nota, o TJ-RN disse que "só, eventualmente, se esse processo vier para o TJ-RN em grau de recurso é que compete ao Tribunal se pronunciar sobre o caso", informou. O TJ-RN ressaltou ainda que o juiz Raimundo Carlyle, que está analisando o processo também "não está se pronunciando a respeito desse caso."

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