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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

O senador Agripino Maia e o seu subconsciente

por Carlos A. Barbosa

O presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN), foi protagonista esta semana de um episódio que, na verdade,  foi um ato falho. Disse o ilustre senador ao falar sobre a expulsão do seu colega Demóstenes Torres (GO) dos quadros do partido:

- O partido tem uma história clara de não convivência com a ética… Para ver o vídeo clique Aqui

Sua assessoria, em nota, justificou o ato falho do parlamentar. Disse que Agripino Maia, na verdade, quis dizer que o DEM não convive com a aética.

O jornalista Maurício Dias escreve na edição de CartaCapital desta semana, em sua coluna Rosa dos Ventos, um texto sob o título "Estandarte da Hipocrisia". Repriso aqui parte do texto:

- O senador Demóstenes Torres é uma figura mais emblemática do que ele próprio imagina. Essa derrocada que sofreu, após assumir o papel de guardião da moral pública, tem sido típica da oposição conservadora há mais de meio século.

Caso houvesse um lema na bandeira desses oposicionistas – sem dúvida representada pelo lábaro udenista – ele seria composto de duas palavras: "Moralidade e Legalidade", e poderia ser apelidado imediatamente de "Estandarte da Hipocrisia".

Esse espírito da UDN, hipocritamente moralista e legalista, assombra a democracia brasileira desde a fundação, em abril de 1945. Na esteira da participação militar do país na Segunda Guerra Mundial, os udenistas encarnaram o papel de principal oposição ao Estado Novo. Muita gente, à esquerda e à direita, foi presa e sofreu no cárcere. Não se sabe, no entanto, de nenhum udenista preso ou torturado durante o regime varguista.

Pois muito bem: Ilustrei o meu Editorial com o texto de Maurício Dias para ratificar o que ele disse não só sobre Demóstenes Torres, mas sobre o DEM. Quando Agripino Maia declarou, sem querer, que o seu partido não convivia com a ética, certamente estava dizendo o que mandava o seu subconsciente.

É fato e notório que o DEM, ou melhor, seus filiados, proclamam uma coisa e fazem outra. Idem Demóstenes Torres. E o próprio Agripino Maia. Quem não se lembra do famoso escândalo do "Rabo de Palha", na primeira eleição para prefeito em Natal após a redemocratização do país. Agripino, prefeito biônico, queria eleger a  sua então correligionária Wilma de Faria sua sucessora contra o então deputado estadual Garibaldi Alves Filho (PMDB), hoje ministro da Previdência. Para isso, reuniu um grupo de prefeitos da Grande Natal no Centro de Convenções onde foi dito que o povo se comprava com feirinha. Isso foi gravado e levado ao Fantástico no mesmo domingo da reunião fatídica.

Agora, o subconsciente de Agripino Maia fala que o seu partido, que já foi UDN, Arena, PDS, PFL e atualmente DEM, tem uma história clara de não convivência com a ética. Tudo a ver, senador. Tudo a ver!

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