Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Direitos Humanos: Segurança? Calamidade

Por Marcos Dionísio Medeiros Caldas

O artigo que segue, talvez sem intenção da autora, Julita Lemgruber, dá continuidade às fraternas reflexões para o aprimoramento de políticas públicas no campo dos direitos humanos e da segurança pública, descortinado, dentre outros , por um texto de Luis Eduardo Soares em que , mantendo a firmeza cívica e a ternura que lhe são peculiares, alertava para o erro cometido pela Presidente Dilma em não levar adiante o plano para redução de homicídios, com pretexto de que segurança pública é papel federativo dos estados da federação. O texto chama-se Tranquila e infalível como Bruce Lee e pode ser facilmente localizável no mar da Internet.
O esvaziamento da Coordenação de Direitos Humanos e Segurança Pública da Secretaria de direitos Humanos da Presidência da República e, a despeito da faculdade do poder executivo de nomear e exonerar quem lhe convier, a exoneração da psicóloga ROSA GROSS DE ALMEIDA, importante parceira da construção da Segurança Humana no Brasil é um sinal de que precisamos cada vez mais termos senso críticos e puganarmos cotidianamente por esse novo Brasil que teima em se atrasar em alguns assuntos e, principalmente em se tratando de segurança pública e direitos humanos.
Não há Democracia que resista tanto tempo em conviver com 50000 homicídios por ano, com desaparecidos, com crianças desaparecidas, com a criminalização da pobresa, dos movimentos sociais e sobretudo com o execício do poder estribado na soberba, ainda que correto em vários outros aspectos.



Por Julita LemgruberEm O Globo, através daqui
Em 5 de dezembro de 2002, escrevi artigo no GLOBO intitulado "Meu caro Luiz Inácio". Naquele momento, chamava a atenção de Lula para a urgência de o governo federal assumir o papel de indutor de políticas de segurança pública, como prometido durante a campanha. Aliás, eu me sentia confortável na cobrança, na medida em que contribuíra para o Plano Nacional de Segurança Pública defendido pelo candidato do PT.
Com a saída de Luiz Eduardo Soares da Secretaria Nacional de Segurança Pública, ainda em outubro de 2003, o governo Lula riscou o tema da pauta de prioridades do governo federal. No segundo mandato, porém, a situação se alterou bastante. Criaram-se, justamente na Senasp, programas importantes de apoio à capacitação de policiais, ações sistêmicas de prevenção à violência na periferia de algumas cidades do país, e houve evidente estímulo a políticas de segurança pública comprometidas com os direitos do cidadão. Ao lado do Ministério da Justiça, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República assumiu publicamente a responsabilidade de fortalecer mecanismos de controle da violência policial. Lamentavelmente, considerando o que vem acontecendo nos últimos meses, parece que, mais uma vez, estamos voltando atrás.
Induzir políticas de segurança pública que contribuam para reduzir a tragédia brasileira dos quase 50 mil homicídios por ano e os altíssimos níveis de violência policial (984 pessoas mortas em 2001 só pelas polícias do Rio e de São Paulo) é responsabilidade não apenas dos estados, mas também dos municípios e do governo federal. É imprescindível que este exerça um papel de liderança, coordenação e indução, para que se obtenham avanços efetivos na área.
Mas não é o que estamos vendo agora. Além de terem sido abandonados diversos programas de capacitação das polícias e de prevenção à violência, no âmbito do Ministério da Justiça, a Secretaria de Direitos Humanos acaba de extinguir, na prática, a Coordenação de Direitos Humanos e Segurança Pública, que vinha se empenhando em pautar o debate público sobre a necessidade de fortalecer os controles interno e externo da atividade policial no âmbito de um estado democrático.
A presidente da República, com sua força e coragem, não deve permitir que o seu governo seja acusado de descaso frente à calamitosa situação da segurança pública no país e deve liderar a retomada do protagonismo do governo federal nessa área. Vencemos a inflação; estamos, aos poucos, vencendo a miséria; e precisamos também vencer nossos altíssimos índices de violência. O governo federal não pode se omitir nessa luta.

Comentários

Postagens mais visitadas