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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Questões abissais sobre 'informação': O que é? Quanto vale? Pra que serve? Quem lê tanta notícia? E as táticas?

Questões abissais sobre 'informação':
Ainda não sabemos exatamente que conclusões extrair desse fato, mas fato é que (a) os caros (no sentido de que custam muito dinheiro) analistas da empresa Stratfor; (b) os clientes que compram a informação (também muito caro) que essa empresa vende; e (c) o pessoal aqui do bairro – além de muita gente por aí pelo mundo –, esses últimos lendo deliciosamente gratuitamente e em português, lemos, nós todos, (a), (b) e (c) acima, exatamente a mesma 'informação', que todos consideramos importantíssima, e no mesmo dia.


Esse espantoso fato (achamos espantoso, pelo menos assim, avaliado no momento do espanto, porque parece que obriga a pensar sobre o que seja a tal 'informação' que tantos tanto prezam, pela qual tantos cobram tão caro, e que a gente aqui distribui fartamente e de grátis) ficou comprovado hoje, quando WikiLeaks divulgou o e-mail ID  758143, datado de 8/11/2011 e que pode ser lido em http://wikileaks.org/gifiles/docs/758143_re-ct-anonymous-101-introduction-to-the-lulz-.html.

Nesse telegrama Sean Noonan, da empresa Stratfor, reencaminha msg que recebera, e recomenda a leitura de artigo publicado na revista Wired, assinado por Quinn Norton, intitulado "Anonymous" 101: Introdução ao 'Lulz'", que traduzimos e pode ser lido em http://redecastorphoto.blogspot.com/2012/01/anonymous-101-introducao-ao-lulz-1.html


Sean Noonan, da empresa Stratfor, escreve, no e-mail:


"Dez pontos a quem inventou a expressão "ultra-coordinated motherfuckery" (que nós traduzimos por "sarro ultracoordenado", porque as soluções alternativas "filha-da-putagem ultracoordenada" e "ferro-ultracoordenado-na-boneca" foram derrotadas por votos, e "sarro ultracoordenado venceu).

Infelizmente, a expressão se aplica ali a gente completamente não coordenada que jamais ferrará ninguém. Mas me aguardem, que vou achar melhor uso para a expressão.


Na msg inicial, Marc Lanthermann escrevera:


comentário cultural bastante bom sobre os anon, mas inútil em termos de expor detalhes "táticos".

 

OK. É a opinião deles. O que se vê, tão claro em tão poucas linhas, é que Noonan avisa que há de achar uso em que ferrará, sim senhor, algum incauto. E Lanthermann só se interessa por 'informação' que exponha "detalhes táticos" dos anons (ou, talvez, de qualquer coisa, não se pode saber).

Sobre a empresa Stratfor, há 'informação' em "Stratfor: por dentro de uma CIA privada", de jornal libanês, traduzida, em http://redecastorphoto.blogspot.com/2012/02/stratfor-por-dentro-de-uma-cia-privada.html.

Sobre os e-mails da empresa Stratford, que WikiLeaks começou a publicar essa semana, há 'informação' de WikiLeaks, traduzida, em "WIKILEAKS-2012: "Stratfor: Os Arquivos da Inteligência/Espionagem Privada Global", em  http://redecastorphoto.blogspot.com/2012/02/wikileaks-2012-stratfor-os-arquivos-da.html.

Absolutamente não obramos aqui pra nos exibir ou nos autopromover, porque não vemos vantagem alguma em constatar que a gente aqui distribui 'informação' que pressupomos interessante para nós... e aquela "CIA privada" acha que a mesma 'informação' também é interessante para ela e seus clientes (mas a "CIA privada" anota, cautelosamente, que a informação é inútil se não expõe "detalhes táticos").

Alguma coisa estranha, para a qual não estamos dando atenção – e para a qual talvez devêssemos estar dando atenção – há, nesse negócio aí, de recolher e distribuir 'informação'. Estamos terrivelmente intrigados. Estamos convencidos que alguma coisa há aí, sim. Pra começar: a coisa talvez esteja na evidência de que uns vendem informação, e a gente dá.

Os Anonymous também fazem deliciosamente gratuitamente o que fazem ("Nossa esquisitice é grátis" (ou, talvez, "Nossa esquisitice é livre", questão indecidível), como se lê em A lógica dos Anonymous – exército online, agente do caos, em busca de justiça, 13/1/2012, Gabriella Coleman, Triple Canopy, n. 15, http://canopycanopycanopy.com/15/our_weirdness_is_free (em tradução). Parece que, sim, a grana (ou a não-grana) tem alguma coisa a ver com construir e distribuir 'informação'. (E, seja como for, continua sem análise e discussão a questão dos "detalhes táticos", de que a "CIA privada" já sabe, mas nós, ainda não.)

Estamos nesse pé da reflexão. Todas as contribuições, ressalvas, correções são bem-vindas.  



Nota

[1] "Quem lê tanta notícia?" é verso de Alegria, alegria, Caetano Veloso, 1967, que se vê e ouve em http://www.youtube.com/watch?v=hOP3EkvB99I&feature=related, do tempo em que Caetano Veloso cantava sem arrogância udenista e desafinava um tantinho. Tinha algo (não muito, mas algo, um traço, uma coisinha) a ver com "lulz", né-não? \o/ \o/ \o/? Infinitamente mais bonito que o que se ouve em http://www.youtube.com/watch?v=LxqKUd-LWCg&feature=related, Caetano já igualzinho ao ex-FHC e atual NADA, hoje super afinadíssimo-chato.  1967 é também o ano de "Domingo no parque", do grande, grande imenso nosso ministro Gilberto Gil, que parece que via o momento em que a festa vira tragédia (vê-se ouve-se em http://www.youtube.com/watch?v=nrstmBhpZts&feature=related), como tudo virou tragédia, logo no ano seguinte, em 1968.

Mas... 1967?!  Já lá vão 45 anos! Faltavam ainda 13 (epa!) anos, para o PT aparecer no mundo!

Em http://www.fotosantesedepois.com/2011/11/28/lula-da-silva/attachment/1967/, vê-se uma foto do presidente Lula, em 1967. Em 1967, a presidenta Dilma militava no POLOP e a ditadura brasileira inventou a Lei do Mobral, pra alfabetizar e emburrecer simultânea e rapidamente o maior número possível de pessoas. A revista Veja estava sendo montada; foi lançada no ano seguinte, feito do qual Mino Carta se orgulhou no início, depois se arrependeu. Em 1967, Bruno Giorgi criou a escultura Meteoro, que lá está hoje, sobre o espelho d'água do Palácio das Relações Exteriores, em Brasília (http://pt.wikipedia.org/wiki/Bruno_Giorgi). Em 1967, o PCdoB publicou um documento intitulado "Alguns problemas ideológicos", contra o foquismo e contra a ideia de substituir o papel dirigente do partido, pela guerrilha. Naquele ano, Aloysio Nunes Ferreira Filho assumiu a presidência do Centro Acadêmico XI de agosto, da Faculdade de Direito, e trabalhava como motorista de Carlos Marighella, então, para Aloysio um ídolo, embora guerrilheiro. Hoje, já ninguém sabe o que é o senador (hoje) tucano-udenista Aloysio. Em 1967 foi ao ar, pela primeira vez, o "Jornal da Globo", que, em 1969, passou a chamar-se "Jornal Nacional" e prestar, jamais prestou. Ora, tudo são 'informações'.  O xis da questão, afinal, talvez esteja, mesmo, em aprimorar os "detalhes táticos"...

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