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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

O patrão bonzinho

Como se já não bastassem todos os problemas que envolvem a Copa do Mundo em Natal, esta semana os trabalhadores da construção da Arena das Dunas paralisaram as obras.
O motivo era simples: um aumento nos salários (de cerca de 800 reais para um pouco mais de mil) e plano de saúde. Como se vê, pedidos nada absurdos - ainda mais para quem trabalha em atividade de alto risco. Impressionante pensar, aliás, que alguém possa estar numa atividade de construção civil sem a cobertura de um plano de saúde.
Ricardo Rosado, ao repercutir a nota do Consórcio liderado pela OAS, informou que uma minoria paralisou as obras - e torrou a paciência do natalense, segundo a expressão utilizada com o fim de desqualificar a mobilização dos trabalhadores. De duas uma, então. Ou essa minoria representava todos e era muito poderosa para paralisar as obras, ou os demais não estavam trabalhando.
O pior é vender a idéia do patrão bonzinho, como se apresentou a construtora:

"O Consórcio Arena Natal em razão da paralisação de fração dos trabalhadores, ocorrida nas datas de 19 e 20 de março do corrente ano, causadora de várias notícias veiculadas na imprensa, vem a público esclarecer que respeitou, em todos os momentos, integralmente, a respectiva convenção coletiva firmada em novembro de 2011, honrando, assim, todos os valores de salários, benefícios e demais parcelas acessórias, além de fornecer perfeitas condições de trabalho, agindo em estrita legalidade, o que impede de reconhecer qualquer pleito dos empregados em sentido oposto.

Todavia, aliando pleno respeito aos trabalhadores e à sociedade, e principalmente com a necessidade de continuidade da obra tão importante para o povo potiguar e brasileiro, o Consórcio Arena Natal, agindo em mera liberalidade, resolveu pactuar com os trabalhadores, que aceitaram cessar com a paralisação, retornando as atividades regulares já na data de 21.03.2012.

Atenciosamente

Consórcio Arena Natal"

Quer dizer: o Consórcio diz que está tudo bem, legal, e que resolveu atender o pleito dos trabalhadores por "mera liberalidade". Ou seja, vou atender porque sou bonzinho.
Essa história de me fez lembrar um caso contado acerca de um empresário, crente e comunista, do ramo metalúrgico em Mossoró. Dizem que nas greves do final dos anos 70, os trabalhadores dele se recusavam a parar porque ele era um patrão muito bom - ao que ele respondia dizendo que não existe patrão bonzinho. E alguém quer me convencer que a OAS é uma patroa boazinha?

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