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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#FimdoDEM: Onde Judas se cruza com um Sinal Fechado

Era dia 9 de fevereiro de 2011.  O governo do RN anunciaria, em poucas horas, o cancelamento do contrato de insperação veicular com o Consórcio Inspar - cancelamento que somente foi efetivado em maio.  Mas antes disso, os envolvidos no esquema fraudulento já tinham recebido a informação.  Falamos sobre isso aqui.
O que aconteceu naquele dia?  Pela manhã, os membros da organização são informados de que o contrato será cancelado.  George Olímpio, apontado como líder da organização, é convocado para ir a Brasília.  Em telefonema com Gilmar da Montana, George diz: "Eu estou chegando no aeroporto.  Eu tô indo para Brasília agora... vou falar com o Ministro [José Delgado] e com José Agripino...  eles mandaram me chamar lá, tô pegando o vôo agora".  Abaixo, o trecho da transcrição na petição da Operação Sinal Fechado:

Perceba que não foi George que pediu o encontro com o senador e o advogado José Delgado: "eles mandaram me chamar lá".  O interesse em conversar com George no dia do anúncio do cancelamento do contrato era todo de José Agripino.  Que se comporta menos como colaborador e mais como líder - afinal, o senador mandou chamar George.
Em conversa subsequente, George conversa com o ex-cunhado, Eduardo Patrício, antigo dono da Delphi Engenharia. E Eduardo dá a senha: a solução possível é "seguir com José [Agripino]".
O que trouxe, finalmente, os holofotes sobre José Agripino nesta semana foi um vazamento de depoimento justamente do réu Gilmar da Montana.  Gilmar informa ter sabido por George que foi repassado R$ 1 milhão para as campanhas de José Agripino e Rosalba Ciarlini por parte da quadrilha.
Note o trecho seguinte do depoimento de Gilmar:

Gilmar diz que pediu ajuda, para salvar o negócio, a alguns desembargadores.  Entre os quais estão Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro - denunciados por Carla Ubarana e George Leal como beneficiários dos desvios investigados na Operação Judas.
Não é por acaso, então, que na conversa acima entre George e Gilmar da Montana, um outro nome aparece convocando os membros da quadrilha.  Diz Gilmar: "... Osvaldo queria falar com a gente... eu não sei, você que sabe, se você não quiser ir não vá".  Além de José Agripino, agora é o desembargador Osvaldo Cruz que deseja conversar com a quadrilha?  O conteúdo da ligação combina perfeitamente com o que foi dito por Gilmar no depoimento - que agora José Agripino diz que foi dado sob efeito de medicamentos.
Enfim, no TJ parece que se cruzam Judas e Sinais Fechados.

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