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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#FimdoDEM: Em 2004, a Folha publicava uma derrota do governo

Dica de Valmir Pirula


Da Folha de São Paulo, em 05/05/2004


Na derrota mais significativa da gestão Lula no Congresso, a base governista não conseguiu manter a unidade e reunir votos suficientes para assegurar a aprovação da medida provisória que proibia o funcionamento de bingos e máquinas caça-níqueis no país.

A MP foi arquivada por um voto --32 a 31, além de três abstenções-- no plenário do Senado. Ela já havia passado pela Câmara.

As casas de jogo poderão ser reabertas a partir da publicação da decisão, o que deve ocorrer nos próximos dias. O fechamento dos bingos foi anunciado no dia 20 de fevereiro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sete dias após o estouro do caso Waldomiro.

Saída

Segundo a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC),
o arquivamento da MP será analisado por uma comissão permanente do Congresso que deverá resolver em 60 dias os problemas jurídicos provocados pela decisão de hoje. Na prática, a comissão terá que encontrar soluções para a lacuna jurídica do período em que a MP vigorou --desde 20 de fevereiro.

Para ela, é nesse intervalo que o governo terá uma possibilidade para reverter a decisão, já que, caso a comissão não resolva os problemas, a MP poderá voltar a vigorar.

O pefelista Demóstenes Torres (GO) classificou o argumento da petista como "bobagem" e afirmou que questões jurídicas não são responsabilidade do Congresso, mas da Justiça. "Se houver alguma dúvida, a Justiça é que tem de decidir."

Revés

Com a ausência do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), que viajou a Salvador para o enterro de um ex-sogro, a base ficou desarticulada. O comando da base recaiu para o vice-líder governista na Casa Romero Jucá (PMDB-RR).

Atônita, a líder do PT responsabilizou a oposição pelo revés. Segundo ela, tucanos e pefelistas sabiam da fragilidade da base nesta quarta-feira e, para marcar posição, orientaram seus congressistas numa ofensiva contra o governo.

"Tínhamos uma condição com ausências que eram sabidas pela oposição. É tudo construído dentro da lógica de quem é que vai pagar a conta", disse Ideli.

Votaram contra o governo seis senadores do PMDB (eram 16 presentes), um do PL (dois no total) e todos os três do PSB. O governo também não contou com o voto de outros nove congressistas que compareceram ao plenário, mas não votaram. Cinco senadores não compareceram. E por fim, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), que mesmo sendo aliado do governo, por tradição não vota.

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