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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

A morte trágica de Robinson Cavalcanti

Em 2010, Robinson Cavalcanti esteve na consulta teológica da Fraternidade Teológica Latino-americana. A consulta aconteceu na Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro. Eu estava na cidade, mas participei de poucos momentos do evento. Mas vi a fala de Dom Robinson. Foi a última vez que o vi falar. O tema era a Conferência e Pacto de Laussanne, em 72, do que ele foi um dos principais animadores no país.
Pelo menos desde os anos 80 o bispo Robinson se constituiu em uma das principais lideranças do segmento evangélico no país. De sua posição académica, como cientista político e professor universitário, contribuiu também para a discussão e implementação dos movimentos evangélicos de esquerda no país. No tempo em que Lula era o sapo barbudo, coordenou sua campanha.
Marcou posição nas entidades em que militou, como FTL e Aliança Bíblica Universitária. E esteve no centro de muita polêmica. Como, por exemplo, quando o reverendo Paulo Garcia rompeu com o bispo e com a igreja anglicana - e a disputa pelos bens da catedral ganhou a justiça e as páginas da imprensa.
Durante a consulta em 2010, o pastor Wellington Santos, segundo ele mesmo contou, pôde dizer a Robinson que quando iniciou seu ministério lia os livros do bispo - e a igreja não lia. Então ele era chamado de herege. Hoje, a igreja já leu todos os livros de Robinson e, com as mudanças nos posicionamentos do bispo, Robinson parece conservador.
E é esse o último Robinson, que continuava firme com a missão integral da igreja e com os posicionamentos políticos à esquerda, mas havia deixado a vanguarda das lutas por direitos, por exemplo, por meio de sua postura conservadora relativa à homossexualidade - o que por fim havia produzido outra ruptura entre os anglicanos brasileiros.
Mesmo assim nada acaba com sua importância como líder e animador de uma igreja evangélica comprometida com a sociedade e os princípios de transformação integral do mundo.
A vida de Robinson foi brutalmente ceifada ontem à noite, ao lado de sua esposa, pelas mãos do filho do casal. Os Cavalcanti morrem vítimas das drogas. O bispo cumpriu sua carreira. E seu testemunho de vida e morte deve servir ainda mais para a nossa reflexão. Em Cristo.

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