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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Blogueiro de Salvador testemunha ação de supostos policiais

http://www.salvadorpraja.com.br/2012/02/greve-da-pmeu-vi-ninguem-me-contou-01.html



ASSASSINATO NA PRAÇA DA PIEDADE

O que passo a descrever agora, foi minha experiência como testemunha ocular dos tiros disparados que viriam a culminar na morte de uma senhora, vendedora de milho na Praça da Piedade.

Logo que começaram os tiros, corri para a janela e acompanhei a maior parte do processo e o desfecho:

  • Quatro homens, de estatura similar, a quem poderíamos definir como altos: portavam armassemi-automáticas; usavam calça jeans e camisetas justas por dentro da calça; talvez um deles estivesse com um coldre na perna;cabelos raspados; 
  • A minha primeira impressão que tive é que se tratavam de policiais civis, pela estética deles;
  • Atiravam indiscriminadamente contra um grupo de jovens que estavam correndo (imaginei se tratar de uma gangue de assaltantes), pelo menos 10 tiros;
  • Todos os jovens conseguiram escapar correndo, menos um dos jovens que parou e colocou as mãos na cabeça, este, depois foi aconselhado por um dos homens armados a correr também, dando dois tiros no chão perto dos pés do jovem;
  • Depois de finalizado o rebú, os quatro homens entraram num carro e partiram, provavelmente um Chevrolet Astra, andam dizendo prateado, eu vi metálico dourado;
  • Como não estava no nosso campo de visão, ficamos sabendo depois que havia sido assassinada a senhora;
Segue uma foto da minha visão:



Perguntas que me fiz:

  • Havia neste exato momento, homens descarregando ferragens para um camarote que estavam totalmente dentro da linha de tiro. Porém, eles continuaram trabalhando normalmente durante os tiros: eles não se mexeram porque, como eu, também imaginaram que se tratava da própria polícia?
  • Um amigo meu me perguntou: a senhora foi morta por acaso, ou porque como vendedora de rua antiga, poderia reconhecer os caras que atiraram?
  • Uma outra: eles estavam a pouco mais de dois metros dos jovens, e não acertaram sequer um tiro nesses caras, acertaram a senhora que devia estar a pelo menos seis metros. Eles realmente queriam acertar nesses jovens? Porque não atiraram no que se rendeu? Eles conheciam esses jovens?

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