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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Sabedoria de Alice

Alice dormia pouco antes da meia-noite.  Quando começou a queima de fogos na ponte Newton Navarro, que assistia da área de serviço do apartamento em que mora minha mãe, acordamos a pequena para ver "as bolas" e "os minhocos" que queimaram parte dos nossos R$ 300 mil em forma de fogos de artifício.
Desejamos feliz ano novo.  Dizíamos que o ano novo tinha acabado de chegar.  Alice olhava pela janela.  E do alto de seus dois anos fez a pergunta definitiva: "Cadê o ano novo?"
Com dois anos, a pequena Alice descobriu o óbvio que nós, adultos, costumamos esquecer e nos enganar: a chegada do ano novo não muda nada.  O ano novo não aparece em nossa janela.  O que vemos pela janela já víamos há pouco.

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