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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Movimentação de quase R$ 283 mi em tribunal onde atuava primo de Marco Aurélio de Mello

Da Rede Brasil Atual

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de inteligência financeira do Ministério da Fazenda, identificou 3.426 magistrados e servidores do Judiciário que fizeram movimentações fora do normal no valor de R$ 855 milhões entre 2000 e 2010.

O auge foi em 2002, quando uma única pessoa movimentou R$ 282,9 milhões. O milionário está ligado ao Tribunal Regional do Trabalho, no Rio de Janeiro, segundo o Coaf.

Esse tribunal foi alvo de graves denúncias, desde licitações fraudadas, passando por venda de sentenças e venda de nomeações, uso eleitoral, abuso de autoridade, quando o Juiz José Maria de Mello Porto o presidiu, entre 1993 e 1994. A CPI dos tribunais no Senado, em 1999, investigou os fatos e ele depôs, negando as acusações, surgidas de gravações onde ele era citado (confira um vídeo). Nesta época da CPI ele ocupava o cargo de corregedor do Tribunal.

Porto era primo do ministro do STF Marco Aurélio de Mello e do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Morreu durante um assalto em 2006, como desembargador, sem qualquer condenação (que se saiba). Processou diversos jornais e jornalistas e até procuradores da República que fizeram denúncias contra ele, e ganhou indenização na maioria dos casos, pelo menos nos tribunais cariocas.

Agora, coincidentemente, aparece a notícia da movimentação atípica de R$ 283 milhões por uma única pessoa neste tribunal em 2002. Não cabe fazer ilações, pois Mello Porto já não era presidente do Tribunal e estava sob a mira do Ministério Público, exposto demais para passar desapercebido. Mas alguém movimentou essa fortuna de forma atípica lá. 

E a pergunta que fica a Roberto Gurgel, procurador-geral da República, é: por que o Ministério Público Federal não fez o dever de casa, desde 2003, e não investigou um alerta do Coaf deste tamanho?  Será que é porque não saiu na revista Veja?

Não fosse a corregedora do Conselho Nacional de Justiça Eliana Calmon abrir essa caixa preta, a impunidade estaria garantida.

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