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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

China: cimentando laços com o mundo árabe

15/1/2012, China Daily, Pequim, Editorial
http://english.peopledaily.com.cn/90780/7705641.html
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu 

A visita do premiê chinês Wen Jiabao à Península Árabe, de seis dias, que começa no sábado, despertou amplo interesse, tanto doméstica quanto internacionalmente.

A visita acontece quando os EUA e seus aliados ocidentais aumentam as pressões sobre o Irã para que abandone seu programa nuclear, e a 'Primavera Árabe' provoca mudanças profundas e dramáticas na paisagem geopolítica do mundo árabe. Nessa paisagem a significação da viagem de Wen – que visitará a Arábia Saudita, o Qatar e os Emirados Árabes Unidos (EAU) alcança espaços maiores que o dos laços atuais da China com nações árabes e mundo islâmico.


Dado os robustos laços comerciais que ligam a China e as três nações árabes, a visita de Wen terá impacto considerável na economia mundial, porque cooperação mais profunda entre China e árabes no campo da energia contribuirá para estabilizar todo o mercado global de energia e o comércio global como um todo.

Em anos recentes, sobretudo depois do Fórum de Cooperação China-Árabes em 2004, as relações sino-árabes desenvolveram-se mais rapidamente. O comércio da China com países da Liga Árabe está em ritmo de rápido crescimento. Estima-se que o volume de comércio entre China e Liga Árabe, o 7º maior para a China, já ultrapassou a marca recorde de $190 bilhões em 2011.

A cooperação no campo da energia é sem dúvida a pedra de toque do comércio bilateral. Segundo a mídia chinesa, a China importa agora mais de 55% do petróleo cru de que necessita, e 47% desse petróleo vem do Oriente Médio. A Arábia Saudita é o principal fornecedor de petróleo para a China; o Qatar é seu maior fornecedor de gás natural liquefeito.

Para alimentar o rápido crescimento de sua economia, a China precisa de fornecimento estável e continuado de grandes quantidades de combustível. O Oriente Médio é o principal exportador mundial de combustível, mas precisa de mercado consumidor de longo prazo e estável, para manter sua posição. A cooperação sino-árabe é resposta que atende aos interesses e é igualmente importante para os dois lados.

Por tudo isso, não surpreende que a China e as nações árabes atribuam grande importância à estabilidade da cooperação no campo energético. Além disso, o suprimento e o consumo normais de energia entre os dois lados é fator decisivo como ferramenta para controlar as flutuações nos preços da energia.

Apesar disso, a importância da interação sino-árabe não se limita a questões de energia. No quadro do Fórum de Cooperação China-Árabes, os dois lados estabeleceram mais de uma dúzia de mecanismos de cooperação que cobrem várias áreas, entre as quais cultura, finanças, proteção ao meio ambiente, agricultura e infraestrutura.

Empresas chinesas aumentaram seus investimentos e a transferência de tecnologia em construção de infraestrutura, manufaturas mecânicas e em indústrias leves e têxteis no mundo árabe. Ao final de 2010, o investimento acumulado da China em estados árabes já ultrapassou a marca de $15 bilhões; e os investimentos de empresas árabes na China somaram $2,6 bilhões – constituindo-se numa das fontes de investimento externo que mais cresceu na China.

Os dois lados também promoveram diálogos entre civilizações para aprofundar a compreensão mútua e aumentar as trocas entre os dois povos, e, no mês passado, organizaram a 4ª Conferência para diálogo entre civilizações, em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, quando se comprometeram mutuamente a promover a paz, a tolerância e a compreensão.

Desde 2012, China e nações árabes mantêm também o fórum anual de economia e comércio em Yinchuan, capital da região autônoma de Ningxia Hui. O povo Hui descende, em grande proporção, de povos muçulmanos do Oriente Médio e da Ásia Central, onde vivem 10% dos 20 milhões de muçulmanos chineses, e prepara-se para operar como ponte para trocas culturais e comerciais entre a China e os estados árabes.

Ao contrário dos países ocidentais, que tendem a tentar impor seus próprios valores e seus sistemas políticos ao resto do mundo, a China interage com o mundo árabe sob os princípios da igualdade, respeito mútuo e busca de mútuas vantagens.

Os EUA, na grande maioria das situações, tende a favor de Israel no conflito com os palestinos, o que enfurece muitos, no mundo árabe. Bem diferente disso, a China sempre apoiou as justas demandas dos palestinos nos fóruns mundiais, o que valeu aos chineses o respeito do mundo árabe. Ao longo da história da amizade sino-árabe, que remonta à antiguidade da ancestral Rota da Seda, a China jamais tentou impor qualquer agenda política exclusiva, à custa do Oriente Médio ou de qualquer outro povo.

A posição da China tem sido cada vez mais bem acolhida no mundo árabe e muitos estados árabes optaram por "Olhar Rumo Leste" em busca de cooperação e apoio na negociação das grandes questões regionais e mundiais.

A visita do premiê Wen à Península Arábica ajudará a consolidar uma antiga amizade, cimentará a confiança mútua e preparará o futuro de uma parceria estratégica entre a China e as nações árabes. Também fortalecerá os laços entre China, Liga Árabe e o Conselho de Cooperação do Golfo, que hoje desempenham papel importante nos negócios regionais.

Com a região passando por mudanças dramáticas desde o início da 'Primavera Árabe' há mais de um ano, a estabilidade regional será tema destacado das conversações entre o premiê chinês e os líderes daqueles três países árabes. O mundo aguardará o resultado dessas reuniões, porque decisões a que cheguem chineses e árabes sobre temas de interesse mútuo certamente influenciarão o rumo que a região tomará nas questões de paz e estabilidade.

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