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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

A incrível arte do sujo falar do mal lavado

Por Paulo Emílio
Na Carta Potiguar


Começou o ano, resultado do vestibular mais concorrido do estado, cabeças raspadas, sobrancelhas com band-aid coloridos, pais e a sociedade esperançosa com o futuro da nação (isso merece outro texto, lembrem-me depois) e por aí vai… No entanto, na contramão de tudo isso, estão os “esquenta bancos políticos-partidários”. Quem são esses? Ah, esses são, em minha opinião, o pior tipo de estudantes que a universidade pode ter. São alunos(?) que utilizam o espaço universitário (produtor de conhecimento) para fazer somente propaganda político-partidária.

Como disse no começo, o resultado do vestibular saiu há dois dias* e nas redes sociais (principalmente no facebook) começou a campanha: “o DCE é do meu partido”. De um lado a UJS/PC do B com 6 aprovados; do outro a JPT/PT com 4 aprovados. De um lado, fotos do outro grupo com a prefeita; do outro, também fotos com a prefeita com grupo de lá. De um lado, acusações de corrupção (essa é a piada do dia); do outro, mais acusações com direito a uma das maiores pérolas que tive o (des)prazer de ler: “a Dilma tá fazendo a faxina nos corruptos. Tirou Orlando Silva do Ministério dos Esportes”, isso porque ele provavelmente  esqueceu (na melhor das hipóteses) que a mesma Dilma colocou Aldo Rebelo que, COINCIDENTEMENTE (segunda piada do dia), é do mesmo partido do ex-ministro e um dos responsáveis pelo Novo Código Florestal. É rir pra não chorar.

Pois é, diante de tantas acusações de ambos os lados, ninguém lembrou que o DCE serve de interesse aos estudantes e não aos partidos. Mas, além disso, será que eles vão se lembrar dessa eterna disputa quando forem abraçar o mesmo candidato à prefeitura?

Até lá, me dá licença que vou bem ali curtir a festa de posse do DCE (eleito com menos de 5% de participação estudantil, claro!) na casa do meu ex-vereador predileto…

*: Texto escrito em 07/01/2012

Ps: O texto, de maneira alguma, tem a intenção de tentar criminalizar a propaganda de partidos políticos ou qualquer outro tipo de manifestação na universidade. A intenção do texto é criticar a atuação que determinadas correntes políticas fazem na universidade; de estudantes sem compromisso com seus respectivos cursos (consequentemente com a sociedade – que é responsável por financiar os estudos); a utilização não democrática da UFRN/DCE apenas para propagandas políticas; sem responsabilidade alguma com o bem-estar dos estudantes; e, principalmente, sem diálogo com os mesmos.

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