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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Depois de um ano

Um ano atrás, vivia uma especial expectativa. Era o último dia do ano, mas era o último dia do operário presidente. A ansiedade percorria a alma: como seria viver num país pós-Lula?
Confesso que chorei na cerimônia de posse no dia seguinte. Chorei quando vi a nova presidenta, ex-torturada, passar em revista às tropas. Mas chorei muito mesmo ao ver Lula, já ex-presidente, se jogando nos braços do povo na Praça dos Três Poderes. E a emoção da tripulação da FAB que levaria o ex-presidente para São Paulo? Momentos históricos impagáveis.
Um ano depois já não sou ardoroso defensor do governo Dilma, capaz de rifar direitos de homossexuais para assegurar o voto de uma bancada evangélica que absolutamente não me representa em Brasília.
Aliás os políticos evangélicos têm cada vez mais a ver com posturas públicas que se relacionam a visões de fé que de jeito nenhum eu compartilho. Aqui em Natal, por exemplo, os evangélicos sempre compuseram a bancada de apoio à prefeita Micarla de Sousa (PV), transformada em crente, aliás, este ano. Tem evangélico na bancada de Micarla respondendo por acusação de pedofilia como manda a boa fé deles.
Em 2011, o movimento #ForaMicarla evoluiu até se tornar uma vitoriosa, histórica e emocionante ocupação da Câmara Municipal, subjugando em nome do povo algumas das atitudes menos democráticas já assumidas por aquela casa - que finalmente pôde investigar a suspeita gestão municipal. O movimento se esvaziou mas as cenas vitoriosas contribuíram para forjar, no RN, uma parcela da juventude global que agora vai às ruas, indignada.
Conversamos esse ano com o neurocientista Miguel Nicolelis, fizemos debates sobre a Copa, a cidade, a corrupção. Fizemos as pessoas pensarem e falarem. O ano que começa nos exige resultados.
Fui a Brasília, doente, saído da experiência da Câmara. Lá, ouvimos Lula, pussemos Paulo Bernardo contra a parede, nos emocionamos com Luísa Erundina (PSB) e Ênio Barroso Filho.
Estive em Foz do Iguaçu (PR) onde militantes virtuais de quase trinta países - inclusive da Primavera Árabe e do Occupy Wall Street - trocaram experiências por dois dias.
A última parte do ano foi de Pecado Capital e Sinal Fechado. Que bem poderiam se chamar de Mãos Limpas. Os valentes promotores da Defesa do Patrimônio Público - que atuam na defesa de todos nós - levantaram os novelos que podem nos ajudar a nos livrar daqueles que nos roubaram e exploraram nas últimas quatro décadas. Espero pelo dia em que celebraremos a queda de todos os mais "probos" e corruptos políticos do estado. Os que receberam e pagaram a George Olímpio, viu Jajá e seus parceiros tucanos?
O ano chega ao fim e acho que o saldo, para mim, foi positivo. Para além do crescimento como militante, cresci como pai, filho, marido, gente. E cheguei bem mais perto de terminar minha tese.
Inté 2011, que me viu o oitavo mais chato do RN.
Bem vindo, 2012. Último ano em ue sofreremos a gestão Micarla. Amém.

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