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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Aumenta o custo da intervenção na Síria

1/12/2011, MK Bhadrakumar, Indian Punchline http://blogs.rediff.com/mkbhadrakumar/2011/12/01/cost-of-intervention-in-syria-rises/
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu

Em declaração, hoje, o primeiro vice-primeiro-ministro russo Sergei Ivanov reafirmou a rejeição, por Moscou, do embargo de armas contra a Síria. A declaração surge no dia da reunião dos Ministros de Relações Exteriores da União Europeia em Bruxelas, da qual resultou aperto ainda maior nas sanções contra aquele país.
Mas o que torna particularmente interessante a situação síria é que Moscou também declarou hoje que já está armando a Síria, para que o país se autodefenda. Houve relatos, semana passada, de que a Rússia está fornecendo seus mísseis S-300 à Síria. Interfax noticiou hoje que a Rússia também forneceu à Síria sistemas de mísseis móveis costeiros “Bastion”, com mísseis cruzadores antinavios “Yakhont”, como parte de uma venda de armas – a respeito do qual EUA e Israel muito objetaram. Um comboio de navios de combate russos também logo estará chegando à Síria, levando conselheiros militares. Interessante, também, que a matéria de Interfax apareça no mesmo dia em que o vice-primeiro-ministro russo Sergey Ryabkov encontrou-se com o ministro de Relações Exteriores de Israel Avigdor Lieberman e com o chefe do Conselho de Segurança Nacional de Israel Yaakov Amidror, em Telavive.

Os mísseis cruzadores “Yakhont” fazem subir significativamente o custo de uma intervenção na Síria, para a Turquia e seus aliados ocidentais. Moscou faz muito bem, portanto, ao antecipar a provável repetição do plano ocidental de, primeiro, fazer avançar muito a ‘desestabilização’ e a degradação de um regime internacionalmente reconhecido, para só então ‘deslegitimá-lo’ e, assim, abrir caminho para a intervenção armada e a ‘mudança de regime’. Foi exatamente o que já foi feito, primeiro no Iraque e, mais recentemente, na Líbia.

Assim, se turcos e franceses realmente querem a cabeça da Síria, eles que levem esquifes extras na invasão, para trazerem de volta os cadáveres dos bravos soldados turcos e franceses que a aventura lhes custará.

Se o movimento dos russos funcionará como ‘desincentivo’ para os cães da guerra, só o tempo dirá. Mas não há dúvidas de que, sim, fará os invasores pensarem duas vezes, no mínimo.

E é possível que, afinal, alguma coisa boa resulte disso tudo, se os turcos e as potências ocidentais desistirem de sua obstinação perversa e permitirem que a oposição síria envolva-se num diálogo nacional com o governo em Damasco.

Na Turquia, pelo menos, já há profunda divisão de opiniões sobre a Síria. A principal força de oposição, o partido CHP, questiona fortemente a política intervencionista do governo. O partido CHP é força solidamente secularista e já percebeu que o atual governo islâmico está-se distanciando da ‘regra de ouro’ de Kemal Ataturk, segundo a qual a Turquia em nenhum caso deve imiscuir-se em questões do Oriente Médio muçulmano. O partido CHP tem raízes nos princípios Kemalistas do nacionalismo turco. O que significa que suas lideranças também não têm ‘envolvimento’ com o ‘dinheiro verde’, jamais declarado, que flui para a Turquia, vindo dos xeiques do Golfo Persa.

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