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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Relações EUA-Paquistão naufragam

27/11/2011, MK Bhadrakumar, Indian Punchline
http://blogs.rediff.com/mkbhadrakumar/2011/11/26/pakistan-us-ties-nosediving/
Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu


Gen. Ashfaq Kayani
Terá, então, começado a contagem regressiva rumo ao fim da parceria estratégica entre EUA e Paquistão? A OTAN praticamente admitiu que seus aviões atacaram um posto de fronteira paquistanês em Salala, perto de Baizai, na Agência Mohmmand das Áreas Tribais sob Administração Federal. O Paquistão diz que a OTAN matou 26 soldados paquistaneses em ataques aéreos noturnos. O general Ashfaq Kayani condenou energicamente o ataque da OTAN. O Ministério das Relações Exteriores do Paquistão convocou o embaixador dos EUA e formalizou protesto muito forte.

Em sua declaração, Kayani ameaçou com retaliação – “resposta efetiva”. Como primeiro passo, o Paquistão já cancelou todas as facilidades de trânsito que beneficiavam a OTAN nas linhas de suprimentos militares para o Afeganistão. Com certeza haverá outras medidas. As lideranças políticas rapidamente se alinharam com o general Kayani[1]. O Paquistão examinará atentamente suas alternativas. Tornou-se virtualmente impossível ceder às pressões dos EUA, porque há 26 soldados mortos e a nação está enfurecida. É difícil acreditar que a OTAN tenha cometido erro tático naquele front tão sensível. E se agiu deliberadamente, como tudo parece indicar, nesse caso o mais provável é que os EUA estejam por trás da decisão de provocar o Paquistão. O momento da ação é item a considerar. Barack Obama pode ter decidido trazer à tona a ‘questão paquistanesa’, para tentar evitar qualquer surpresa em momento mais próximo das eleições, ou no auge da campanha em meados de 2012. Hillary Clinton disse com todas as letras que o Paquistão teria “dias, semanas” para atender às exigências dos EUA.

Há alta frustração em Washington, por o Paquistão ainda não ter levado os Talibã à mesa de negociações. A muito aguardada Conferência Bonn II, dia 2 de dezembro, está antecipadamente esvaziada. O processo de paz estagnou num beco sem saída, e a estratégia de Obama para o Af-Pak está em frangalhos. A guerra do Afeganistão entrou em modo sem solução.

O ataque em território paquistanês pode marcar um ponto de virada nas relações EUA-Paquistão[2]. Imran Khan exigiu que o Paquistão afaste-se completamente da guerra do Afeganistão. Os canais de comunicação EUA-Paquistão estão também congestionados com a remoção de Hussain Haqqani do posto de embaixador em Washington. Os sentimentos ‘anti-EUA’ no Paquistão avançam como inundação morro abaixo, e haverá clamor público por reação paquistanesa vigorosa.





[1] Associated Press Paquistão, em http://ftpapp.app.com.pk/en_/index.php?option=com_content&task=view&id=166871&Itemid=38


[2] 26/11/2011, Xinhuanet, Paquistão, em http://news.xinhuanet.com/english2010/world/2011-11/26/c_131271661.htm

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