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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Os opostos na Nicarágua e Guatemala

General Otto Perez Molina
No Blog do Miro

Neste domingo (6) ocorreram duas importantes eleições presidenciais na América Central. Os resultados evidenciam o quadro de polarização política nesta sofrida região, considerada pelos EUA como seu “quintal”. Apesar de todo o bombardeio midiático, o império foi derrotado na Nicarágua. No outro extremo, ele garantiu a manutenção de um carrasco aliado na Guatemala.
Sandinistas confirmam sua força

Os primeiros resultados oficiais da apuração na Nicarágua indicam que o ex-guerrilheiro sandinista Daniel Ortega conquistou a sua reeleição com mais de 60% dos votos. O candidato da direita, o dono de rádios Fabio Gadea, surge em segundo lugar, como 25% dos sufrágios. A oligarquia local e os EUA tentaram melar o pleito, difundindo que a reeleição seria “ilegítima e inconstitucional”.

Mas os nicaragüenses deram legitimidade do pleito. Apesar das contradições da gestão sandinista, a sensação no país de melhora nas condições econômicas e sociais. Vários programas públicos garantiram a redução da miséria, o combate ao analfabetismo e a geração de emprego. Os graves problemas estruturais do país não foram enfrentados, mas o sentido do governo é progressista.

General carrasco e aliado dos EUA

Já na Guatemala, os primeiros resultados das urnas confirmam a manutenção do status quo e da subserviência aos EUA. O general reformado Otto Pérez Molina obteve 54% dos votos no segundo turno, derrotando o empresário Manuel Baldizón. Ex-integrante da Kaibil, tropa de elite responsável pelo massacre da guerrilha no país, Molina é acusado por atentar contra os direitos humanos.

Ele foi chefe do extinto Estado-Maior Presidencial (EMP) durante a ditadura de Ramiro de León Carpio (1993-1996) e se projetou ao assinar o acordo de paz com a guerrilha guatemalteca em 29 de dezembro de 1996. Aliado dos EUA, ele comandou a violência contra os povos indígenas na região de Ixil, no noroeste da Guatemala, onde foram registradas centenas de execuções e torturas.

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