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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

A Grécia e o colapso da democracia




George Papandreou, o social-democrata de araque, já não é mais primeiro-ministro da Grécia. Num acordo firmado na noite de ontem (6) com o principal partido da direita no país, ficou acertada a formação de um governo de coalizão para impor o “pacote de austeridade fiscal” exigido pelos banqueiros da Europa e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

O fim melancólico de Papandreou, que foi eleito com promessas de mudanças e traiu todas as expectativas dos gregos, evidencia o colapso da democracia burguesa, controlada pelas corporações capitalistas. Para socorrer os rentistas, principais culpados pela grave crise econômica mundial, o governo “social-democrata” bancou bilhões de euros dos cofres públicos. Recuo vergonhoso no referendo

A operação salva-banqueiro só agravou a crise fiscal do estado grego. Diante do caos econômico, Papandreou aceitou as novas ordens dos banqueiros e decidiu promover drásticos cortes nos gastos públicos, com demissões de servidores, cortes de salário e privatizações. Os gregos foram às ruas. Os trabalhadores já realizaram 11 greves gerais nestes dois anos de tormenta.

Diante da resistência, o vacilante “social-democrata” chegou a sinalizar com um recuo, propondo um referendo para aprovar o “plano de austeridade”. A gritaria do deus-mercado foi imediata e, novamente, ele recuou. Na prática, ficou evidente que a tal democracia burguesa é um disfarce da ditadura do mercado. O povo vota, mas quem manda é a oligarquia financeiro.

Convulsão social ou golpe militar?

Agora, Papandreou cede o trono e negocia com a direita grega para impor o projeto dos banqueiros. Há quem afirme que o país caminha celeremente para uma convulsão social. Os trabalhadores não aceitarão pagar o ônus da crise. Há boatos, também, de que setores militares orquestram um novo golpe – a Grécia teve uma das ditaduras mais sanguinárias no pós II Guerra Mundial.

As forças de direita da Europa e os banqueiros saudaram a decisão de Papandreou de recuar no referendo e de formar o governo de coalizão. Merkel (Alemanha), Sarkozy (França) e Berlusconi (Itália) elogiaram a rendição do social-democrata de araque. Eles temem que a crise grega agrave o colapso europeu e enterre o euro. Mas será que os gregos aceitarão a vergonhosa manobra?

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