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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#ForaMicarla: E valeu o voto!

Com todo o respeito que eu devo ao vereador Edivan Martins (PV), presidente da Câmara Municipal de Natal, e aos colegas jornalistas que cobrem a Câmara, é muito estranha a escolha de Edivan como parlamentar do ano de 2011 na casa legislativa.
O ano foi péssimo para Edivan e o deixou em situação de extrema fragilidade.
Quando a oposição apresentou o requerimento para a instalação da finada Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Aluguéis, Edivan agiu corretamente como de esperar de um democrata.  Instalou a CEI, com dois membros da situação e um da oposição.  Havia um acordo entre os situacionistas Albert Dickson (PP), Francisco de Assis (PSB) e a opositora Sargento Regina (PDT) para que Regina fosse a presidente da CEI.  Isso não foi cumprido e Regina deixou a CEI.

Daí ocorreu a ocupação da Câmara.  E a sucessão de erros de Edivan que, a meu ver, seriam suficientes para que ele não pudesse ser escolhido como parlamentar do ano.  Dois dias após o início da ocupação, Edivan sentou-se com os manifestantes e comprometeu-se a manter a CEI e a realizar uma audiência pública na semana seguinte.  No outro dia de manhã, o golpe e a surpresa: Edivan cancelou a CEI e deu ordem para que até o fim do dia a Câmara fosse desocupada.  A revolta gerada pela primeira quebra de compromisso fortaleceu o movimento da ocupação.
Após o movimento ter conseguido um habeas corpus, revogado no fim de semana pelo Tribunal de Justiça, Edivan Martins sentou com os manifestantes para negociar na OAB na segunda-feira - após ser suspensa a ordem de desocupação policial.  A OAB conseguiu mediar um acordo, após uma tarde inteira de reunião. Edivan sumiu à noite.  Após as 23h, o presidente da OAB, Paulo Eduardo Teixeira, consegue falar com o presidente da Câmara, que lhe informa que não acata a proposta de acordo.  Segundo acordo descumprido.  Segunda pisada na bola política de Edivan.
Absolutamente fragilizado, após a vitória do movimento no STJ dois dias depois, Edivan finalmente convoca todos os vereadores para tentar pôr fim a crise.  A posição do presidente era tão frágil que não é ele quem leva a proposta de acordo aos estudantes acampados.  Aliás, na Câmara ocupada, o porta-voz dos vereadores, Júlio Protásio (PSB) é claro em dizer que o presidente Edivan Martins estava afastado da negociação daquele acordo e que todo diálogo agora seria travado com aquela comissão de negociação.  Na manhã seguinte, o acordo foi assinado e a Câmara desocupada.  Era 17 de junho.
O último episódio ocorreu em 5 de setembro.  O coletivo #ForaMicarla realizou um protesto na porta da Câmara enquanto haveria uma sessão da CEI dos Contratos, criada após a ocupação de junho.  Ao tentar entrar, os manifestantes foram impedidos.  O chefe da guarda legislativa diz, com clareza, às vereadoras Júlia Arruda e Sargento Regina que a proibição foi por ordem do presidente Edivan Martins.  Falei sobre isso aqui e aqui.
Essas histórias são suficientes para o meu convencimento de que Edivan não foi efetivamente o parlamentar do ano na Câmara Municipal de Natal. A escolha de Edivan parece, ao contrário, um desagravo - uma tentativa de fazer com que se passe uma borracha em todos os seus inúmeros erros políticos do ano pré-eleitoral.

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