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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

A revolução da neurociência em texto (mal) copiado por @alexmedeiros59



Alex Medeiros publicou este texto de Veja com o objetivo de tentar desqualificar a pesquisa do neurocientista Miguel Nicolelis, capa da Nature na semana passada.

A Veja publica notícia sobre experiência financiada pela DARPA (instituição por trás do desenvolvimento da Internet, nos anos 60) e divulgada em Pittsburg. Nela, um paciente tetraplégico, Tim Hemmes, teve um chip implantado no cérebro e pôde movimentar um braço mecânico.

Quem tem o mínimo de conhecimento do campo científico sabe que não se faz pesquisa isolada e que ineditismo científico significa algo bem diferente do que se costuma achar o jornalismo e o senso comum.

Evidentemente que Belle, macaca-da-noite que movimentou um braço a partir de um implante em um grupo de noventa neurônios, em experiência realizada por Nicolelis em 99, tem a ver com o fato de Tim Hemmes poder mexer um braço mecânico hoje. Belle foi, segundo o Estadão, a primeira criatura a controlar objetos tangíveis, a longa distância, com a mente.  Ciência se faz assim.

Quando o resultado da pesquisa foi mostrado no Jornal Nacional de ontem, falei que as pessoas que não perceberam que a diferença na pesquisa que foi capa da Nature é que Nicolelis foi capaz de fazer o sujeito ter a sensação do tato – sem a qual é impossível uma neuro-prótese possibilitar a um tetraplégico voltar a andar.

O problema é que no afã de atacar Nicolelis, Alex fez um CTRL-C CTRL-V da Veja mal-feito, o que deixou o texto contraditório. Não é de surpreender, já que foi ele quem usou a morte de Steve Jobs para atacar o neurocientista de quem se coloca como adversário. O texto da Veja diz:

Os cientistas da Universidade de Pittsburgh estão treinando outros tetraplégicos para usarem o braço de formas mais sofisticadas. É possível que, no futuro, além de mover o braço robótico, os pacientes consigam sentir o que o membro mecânico está tocando.
Na quarta-feira (5), a equipe do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis divulgou um estudo que recriou a sensação do toque em macacos por meio de um chip cerebral quando eles moviam um braço virtual na tela do computador.

Alex foi além e gerou sua contradição.

A experiência em Pittsburgh foi muito mais longe que isso, fazendo o paciente não apenas sentir a sensação do toque, mas movendo o próprio braço robótico com uma ordem do cérebro, ou seja, com o pensamento.

Ou seja, no texto original da Veja fica claro que o tato é uma possibilidade futura para os membros mecânicos. Alex, que manteve esse trecho em seu texto, foi além ao dizer que a experiência fez o paciente não apenas sentir a sensação do toque.

Sem mais, espero que ele retorne das férias com o texto mais afiado.  E dando crédito aos textos que publica.  Afinal, não há referência em seu post que ele foi copiado do site de Veja.

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