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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

#OTeatroMagico e a arte engajada



Do Correio Braziliense

Fenômeno da internet com 5 milhões de transmissões de músicas dos discos Entrada para raros (2003) e Segundo ato (2008), 6 milhões de downloads e 300 mil álbuns vendidos, o grupo O Teatro Mágico completa oito anos de estrada e lança o último trabalho da trilogia: A sociedade do espetáculo. Com 19 faixas, o disco bebe na fonte de sons nordestinos em Nosso pequeno castelo, passa pela guarania gaúcha na Canção da terra, e chega até a batida do funk carioca de Novo testamento.
Inspirado no livro do francês Guy Debord, o título já diz, na capa, a que veio: reflexão sobre os tempos modernos. Desenhos lembram ilustres conhecidos, como Nelson Mandela, Fidel Castro, Karl Marx e Chapolin Colorado. “Algumas ilustrações realmente são aquilo que você está vendo, outras são só sugestões. A ideia é justamente essa: confundir. Elas representam a sociedade do espetáculo que, na verdade, somos todos nós”, explica Fernando Anitelli, vocalista e mentor da banda que, mais uma vez, traz composições engajadas.

Na canção Esse mundo não vale o mundo, a letra  “essa hetero intolerância branca te faz refém” critica, no mesmo verso, a homofobia e o racismo. Na música O que se perde quando os olhos piscam (“Pronde vai... a culpa da cópia!? Pronde foi… a versão original!?), a referência é a Creative Commons, licença que flexibiliza os direitos autorais, utilizada pelo O Teatro Mágico.

Amanhã…será? fala das revoluções populares e do uso da web. "Quem diz que a revolução está saindo da internet está enganado, ela ainda vem do povo, a rede é só uma ferramenta. A insurreição está em nós e a primavera árabe traduziu isso muito bem", diz Anitelli sobre a terceira faixa do CD.

Parcerias
“Esse é um álbum que consolida as questões da pluralidade, das parcerias e do colaborativo”, sintetiza Fernando Anitelli sobre as participações especiais em A sociedade do espetáculo. O disco contou com a presença de Sérgio Vaz (Felicidade?), Pedro Munhoz (Canção da terra), Alessandro Kramer (Eu não sei na verdade quem eu sou), Nô Stopa (Folia no quarto), Leoni e do saxofonista da Dave Matthews Band, Jeff Coffin.

“A construção da música que fizemos com o Leoni foi toda virtual. Gravei um pedaço da melodia, ele colocou a letra, troquei umas palavras e a gente mudou o tom. Depois, ele colocou a voz, mixamos e Nas margens de mim estava pronta. Tudo pela internet. Mas hoje, esse comportamento é muito comum. Com o Jeff também foi assim. Ele mandou Transição por e-mail, colocamos no CD e a participação dele estava pronta”, revela o músico. Com os fãs, Anitelli compôs (também pela web) O que se perde quando os olhos piscam.

Além do produtor Daniel Santiago, outras duas crias do cerrado completam a lista dos ecléticos convidados do terceiro disco do grupo paulista: o gaitista Gabriel Grossi (Até quando…) e o baterista Rafael dos Santos, novo integrante da trupe. “Conhecemos Santiago pelo Hamilton de Holanda e, quando chegou a oportunidade de gravar o CD, não pensamos duas vezes em chamá-lo para produzir nosso novo trabalho. Rafael e Grossi também vieram pelo Hamilton e foi ótimo, pois todos são músicos virtuosos que ajudaram a amadurecer nosso trabalho”, finaliza.

Os saltimbancos

» Daniel Santiago (voz)
» Fernando Anitelli (voz)
» Fernando Rosa (baixo)
» Galldino (violino)
» Guilherme Ribeiro (teclado)
» Gustavo Anitelli (voz)
» Ivan Parente (vocal)
» Rafael dos Santos (bateria)
» Silvio de Pieri (flauta e saxofone)

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