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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Osvaldo ou Orlando: qual comunista tomba hoje?



Osvaldo Orlando da Costa formou-se em engenharia em Praga, na ex-Tchecoslováquia. Regressou ao país em 1963, militando no PC do B. Em 1964 teve seus direitos políticos cassados com o golpe militar. Chegou à região do Araguaia, para instalar a guerrilha, entre 1966 e 67.

Foi o autor da primeira morte militar durante a guerrilha, quando durante um encontro na mata com uma patrulha do exército matou a tiros o cabo Odílio Cruz Rosa.

Osvaldão foi morto com um tiro de carabina quando descansava num barranco, em 4 de fevereiro de 1974, nos estágios finais da ofensiva militar que aniquilou a guerrilha, pelo mateiro Arlindo Vieira 'Piauí', um conhecido seu que na época havia virado guia das patrulhas militares. Seu corpo foi pendurado num helicóptero que sobrevoou várias áreas da região a mostrar aos caboclos locais que o 'imortal' guerrilheiro estava morto. Decapitado por um sargento do exército, seus restos foram deixados na mata e nunca encontrados.

Um militar que testemunhou o fato comenta:

"Vi cortar a cabeça do Osvaldão. O sargento pegou a faca, lubrificou a faca e disse: "é bandido, tu agora não mia mais (...)". Ai pegou a faca, pegou a cabeça dele, botou um pau em baixo e foi cortando. Foi cortando, cortando, cortando. E eu não tive coragem de olhar até ele terminar. Na hora que ele cortava eu não agüentei e afastei pra trás.

Aí o sargento me empurrou pra frente e disse: "tu tá punindo (torcendo) por ele? Se tu não aguenta, tu tá punindo por ele. Tu é mesmo terrorista". Aí me empurrou e eu caí no pau. Aí o sargento disse: "De hoje em diante se tu chegar com a FAL cheia de bala na repartição onde nós vamos te encaminhar, você vai seguir o mesmo caminho que eles estão seguindo. Você está punindo por eles. Você não dá nenhum tiro". Fazia 20 dias que a gente andava, e eu não tinha dado nenhum tiro. Aí deram fé (notaram).

Disseram que ia seguir o mesmo caminho deles, que iam me cortar a cabeça. Me fizeram medo, né?


[O corpo] ficou lá no lugar que mataram ele, na beira da lagoa. Enterraram não. Largaram no meio da mata. Todos que morrem, papa-mickey, eles deixam no meio da mata. E não é de todos que eles tiravam a cabeça, não. Só daqueles mais afamados.

Agora, não sei nem pra quê, nem porquê".

Osvaldão não é um nome de referência apenas na história do PC do B, como também na história da luta contra a ditadura militar instalada no Brasil a partir de 1964.

Osvaldão foi lembrado hoje de maneira involuntária por Ricardo Noblat:



Orlando está ocupando o lugar de Osvaldo? O ato falho aponta para as similitudes.  Orlando e Osvaldo são comunistas, negros, altos, fortes.  Aponta também para a morte [política] covarde a que está sendo arrastado o ministro Orlando Silva.  Seu corpo será exibido em praça pública, cabeça cortada, mito desfeito.  
Orlando está sendo executado pela mídia com o decisivo apoio do governo central.  Tiro pelas costas.  Sem chance de defesa.  Orlando repete, midiaticamente, o triste fim de Osvaldão, um dos insepultos das matas do Araguaia.  Aquele que, engenheiro, era chamado de boxer, porque negro engenheiro, você sabe, não pode ser.
E ministro comandando a Copa?  Pode ser negro, nordestino e comunista?  Pelo visto, não pode.  Nem para mídia, nem para o governo.
Tiro à traição.  
Do próprio partido.
Partido, aliás, que aceitando como inevitável a queda trai a luta de sua militância que se expôs ao enfrentamento público das calúnias na última semana para, em troca do cargo, perder a honra.  Entregue-se o cargo, mas não se entregue a honra.  Não entregue o corpo que a mídia tanto almeja.  Se alguém tiver de apresentar um corpo, que seja Dilma.

Comentários

  1. Paulo Vinicius da Silva26 de outubro de 2011 às 13:48

    seu ataque ao Partido é injustificável...

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  2. Em que ataquei o partido? Se a postura do partido for essa, eu me sinto desrespeitado como militante.

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