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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Folha, o jornal da Ditabranda, transforma militância em patrulha

O PT vai montar uma "patrulha virtual" e treinar militantes para fazer propaganda e criticar a mídia em sites de notícias e redes sociais como Twitter e Facebook. 
Na Folha de São Paulo de hoje

As últimas eleições e os últimos movimentos políticos e sociais no Brasil e no mundo têm sido decisivamente determinados pelas ações e militância nas redes sociais. 
Diante de um cenário assim é de se imaginar - não só no país, como no mundo; não só na esquerda, como na direita -, que partidos políticos e militantes procurem discutir estratégias e táticas de ação no ambiente virtual.  A disputa por opinião pública, para além da mídia tradicional, passa pelas redes sociais como twitter e facebook, e pelos blogs.  Já foi essa a realidade até certo ponto decisiva nas eleições de 2010.  É de se esperar que haja fenômeno semelhante nas eleições de 2012.  De agora em diante a influência da Internet no processo político e eleitoral serão cada vez mais decisivas.
Isso é um ponto tranquilo.  O que me horroriza é a tentativa de um jornal como a Folha de São Paulo, supostamente um defensor das liberdades democráticas e da liberdade de expressão, publicar uma matéria como a de hoje que ataca e tenta desqualificar o movimento de Militância em Ambientes Virtuais que está sendo construído pelo Partido dos Trabalhadores por todo país. 
É proibido fazer militância na Internet?  Ou ela só é permitida quando for para atacar o governo?  É proibido ou anti-democrático um partido organizar sua ação política nas redes sociais?
Ou será que só será permitida a organização, apócrifa, de centrais de boatos, o envio de spams? 
Será que a Folha não entendeu que quem publiciza opinião e quem dá notícias ao público se expõe ao debate, também público, que, atualmente, é feito com uma relevância cada vez mais decisiva em espaços como o twitter?  Quem critica não pode ser criticado?
Parece, com essa matéria, que a Folha padece do mesmo pecado que muitos analistas, sociólogos e até forças políticas padecem com respeito à ação política e social nos tempos da cibercultura: a não-compreensão que os parâmetros de atuação nesse contexto contemporâneo diferem do mundo regido pela mídia tradicional.  A Folha e outros veículos serão cada vez mais postos em xeque - e não apenas mais isoladamente. 
Talvez eles já tenham percebido isso e achem que seja possível adotar uma postura de enfrentamento.  Imagino que esse venha a ser um engano fatal.

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