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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Eliana Calmon, a rebelde

Por Alisson Almeida

Em tom pejorativo, matéria da Folha de S. Paulo classifica a corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, como “rebelde”. Na semana passada, num ato corajoso, ela afirmou que há ”bandidos atrás das toga“, numa referência à corrupção no Judiciário.

A declaração desagradou o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Cezar Peluso, que leu uma nota, assinada por ele e mais 11 conselheiros do CNJ, classificando a denúncia da conselheira Eliana Calmon como “acusações levianas” que “lançam, sem prova, dúvidas sobre a honra de milhares de juízes”.

Três dias depois, seis membros do CNJ redigiram outra nota esclarecendo que haviam se posicionado “contra as declarações desastradas da corregedora e não contra a competência do CNJ”.

Peluso defende, na prática, a imposição de limites à atuação do Conselho Nacional de Justiça, responsável pela fiscalização dos Judiciário. Para o presidente do CNJ, o juiz só deve ser investigado pela corregedoria do Estado, não pelo CNJ. A AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) ingressou com uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra uma resolução que aumentou os poderes e a abrangência do conselho sobre processos administrativos contra os “bandidos de toga”.

A conselheira Eliana Calmon disse que a Adin é o “primeiro caminho para a impunidade da magistratura, que hoje está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga”.

Voltando à matéria da Folha, não sei como o jornal não tascou um “subversiva” para designar Eliana Calmon. Para um veículo que já publicou como verdadeira uma ficha falsa da presidenta Dilma Rousseff, isso seria – com perdão do trocadilho – fichinha.

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