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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Corrupção como alvo dos indignados daqui e de lá

Duas mobilizações da oposição no Brasil contra a corrupção foram mais ou menos um fiasco. À exceção dos dois protestos em Brasília, os mais apartidários de todos, reuniram pouca gente.

Vejo ao menos uma diferença significativa entre os nossos protestos e o movimento global dos indignados. Aqui, o alvo, desforme, é a corrupção, sem nenhum aprofundamento crítico relevante sobre o que seja e quais as origens da corrupção.

Já os movimentos globais têm demonstrado uma consciência política mais clara, talvez fruto de uma sociedade com melhores desempenhos educacionais. Os protestos não são simplesmente contra a crise econômica mundial. Os estudantes, subempregos, desempregados conseguem perceber que o sistema é corrupto e lhes dá poucas oportunidades porque isso é inerente ao próprio capitalismo.

O grito dos indignados é contra a corrupção e os corruptos, contra a crise, mas eles entenderam muito bem que precisam gritar e lutar contra um sistema político-econômico que gera como resultado corrupção, crise econômica, desemprego e pobreza.

Os movimentos no Brasil, por desassociados das questões e demandas concretas da sociedade, só terão futuro concreto e real à medida que se possibilitarem uma mais efetiva politização e compreensão de um processo sistêmico que cria, o que é hoje é alvo, como simples conseqüência.

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