Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Chile se aproxima do terrorismo de Estado novamente

Da Folha de São Paulo



Após cinco meses de protestos estudantis que solaparam a popularidade do presidente e colocaram o Chile em clima convulsivo, o presidente Sebastián Piñera elaborou um projeto que prevê até três anos de prisão para quem ocupar instituições públicas ou privadas, como colégios e universidades.
A ocupação é a principal forma de protesto dos jovens chilenos. Desde maio, eles tomaram pacificamente mais de 200 instituições de ensino em todo o país.
A proposta do centro-direitista Piñera também prevê penas mais rígidas para quem saquear estabelecimentos, agredir policiais, manifestar-se com o rosto encapuzado e atentar contra a tranquilidade da população.
O projeto reformará o atual Código Penal e precisa da aprovação do Congresso -o texto ainda não chegou aos parlamentares. "O governo não apresentou o texto publicamente, e esses crimes já estão previstos no atual código. Esse endurecimento nada mais é do que uma resposta política aos recentes distúrbios", disse à Folha o advogado Alfredo Morgado, ressaltando que as penas atuais para ocupações, por exemplo, são mais brandas (algumas cumpridas com ações comunitárias).
Desde o início dos protestos, tornaram-se frequentes confronto entre encapuzados e policiais, saques em lojas, depredação de carros e casas -ações condenadas pelos estudantes, que chegaram a restituir algumas das vítimas.
Político chileno com a pior avaliação dos últimos 40 anos, Piñera disse que o governo não vai "tremer" ao atuar contra a "desordem". "Temos a obrigação de lutar com toda a força e decisão. O projeto vai contra os que ocupam instituições de ensino com violência, impedindo a execução dos serviços. Os chilenos querem paz", afirmou o presidente.
O projeto foi criticado pela oposição, por estudantes e magistrados, que veem na medida mais uma ação do governo para criminalizar as manifestações sociais.
Camila Vallejo, principal porta-voz do movimento estudantil, declarou que o projeto deixa o Chile mais perto do "terrorismo de Estado" e que esse gesto complica mais o diálogo com os estudantes.
Ontem, uma entidade que reúne instituições de ensino ligadas à Igreja Católica disse que aceita a regulação do lucro nas escolas privadas.
Uma reforma do ensino que o converta em gratuito -como era antes da ditadura Pinochet- é a principal demanda dos estudantes.

Comentários

Postagens mais visitadas