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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Twitter é termômetro do humor mundial

Da Folha de São Paulo





Um estudo usou o Twitter para colher dados sobre o estado emocional de 2,4 milhões de pessoas e delinear como sentimentos positivos e negativos evoluem diariamente nas pessoas.
O trabalho produziu um mapa indicando que países como a Rússia exibem mais mau humor, enquanto outros, como a Argentina, são um poço de bom humor.
A pesquisa da Universidade Cornell (EUA) recorreu a um software de linguística para analisar as mensagens. Usando um dicionário especial, os pesquisadores contaram a porcentagem de palavras e expressões positivas ou negativas de cada usuário e criaram um índice.
"Nós descobrimos que os indivíduos acordam com bom humor, que vai se deteriorando com o decorrer do dia", afirma Scott Golder, sociólogo e autor principal do estudo, em comunicado.
"Muita gente pode argumentar que o humor evolui assim apenas porque as pessoas vão para o trabalho, mas nós vimos que o padrão se repete também no sábado e no domingo. Existe alguma coisa por trás disso, que pode ser o sono ou o ritmo biológico."
Os cientistas afirmam que o estudo do humor tem importância de saúde pública que vai além do trivial.
"O humor individual é importante para a saúde física e emocional, para a memória, a criatividade e o funcionamento do sistema imunológico", escrevem Golder e seu orientador Michael Macy em estudo na edição de hoje da revista "Science".
A publicação científica mais prestigiosa dos EUA afirma ter acolhido o estudo por ter sido ele o primeiro a confirmar o padrão de sobe e desce do humor sem interferir na coleta de dados.

Mau humor livre
O Twitter permite a um psicólogo inferir o estado emocional das pessoas sem que elas saibam que estão sendo pesquisadas. Já as entrevistas pessoais usadas em outras pesquisas podem sofrer certas distorções.
Uma das conclusões curiosas é que o mau humor evolui de forma independente do bom humor durante o dia.
Ao mesmo tempo em que conseguiu ser pioneiro, Golder reconhece que sua abordagem tem limitações.
Para facilitar a análise do texto, por exemplo, o sociólogo considerou apenas textos publicados em inglês.
Alguns problemas, porém, já foram notados pelo pesquisador. Golder conseguiu descobrir, por exemplo, que pessoas notívagas, que gostam de dormir e acordar tarde, têm pico de humor no meio do seu ciclo diário.
Existe também uma alteração sazonal, com pessoas tendo níveis menores de bom humor no inverno, independentemente de morarem em países tropicais ou temperados.
Segundo a "Science", que publicou uma análise independente do estudo, Golder mostrou que sites como o Twitter e o Facebook são uma mina de ouro para sociólogos e sanitaristas.

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