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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Tucano sem medo de ser feliz

Por Fernando de Barros e Silva
Na Folha de São Paulo


A presidente, segundo Geraldo Alckmin, tem grande "espírito republicano"; o governador, segundo Dilma Rousseff, é um "parceiro excepcional". A aproximação e a troca de gentilezas entre a petista e o tucano causa surpresa e incomoda parceiros dos dois lados.
Em termos objetivos, a parceria se materializou na unificação do programa social do Estado com o Bolsa Família, em investimentos conjuntos na hidrovia Tietê-Paraná e na liberação de R$ 1,7 bilhão do governo federal para o Rodoanel. Até novembro, a presidente deve voltar pela terceira vez a São Paulo para anunciar nova dobradinha no programa Minha Casa, Minha Vida.
Entre seus respectivos staffs, consta que Dilma e Alckmin têm feito elogios recíprocos. A despeito das diferenças ideológicas, hoje esmaecidas pela convergência da política ao centro, um parece reconhecer no outro, com satisfação, a sua própria vocação administrativista.
Ainda falta muito para 2014, mas esse Alckmin que faz a corte para a presidente age como quem é candidato à reeleição no Estado. E Dilma também se fortalece entre o leitorado paulista simpático aos tucanos.
Com sua atitude, Alckmin ainda esvazia o governismo de Sérgio Cabral e a vocação governista do próprio Aécio, que não está acostumado a fazer oposição e não sabe muito como se comportar no Senado.
O mineiro vive um mau momento. Amargou primeiro o episódio da carteira vencida e do bafômetro -que se recusou a assoprar. Semanas depois, caiu do cavalo. São imagens que metaforizam, de forma cruel, uma atuação parlamentar decepcionante à luz daquilo que a oposição espera da sua promessa.
Pior do que Aécio avariado só mesmo José Serra, que dá a impressão de não ter entendido ainda o que lhe passou em outubro de 2010.
Entre o oposicionismo estéril de Serra e a inanição oposicionista de Aécio, Alckmin desponta, sem medo de ser feliz ao lado de Dilma. Mas ainda é um político regional, cria e cara da província de São Paulo.

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