Pular para o conteúdo principal

Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Ocupação pelo Exército: Pacificação significa o que mesmo?

Está cada vez mais evidente para mim que o papel do Exército no Alemão não é pacificar, mas é limpar, cassar a voz, humilhar, controlar, sufocar, subordinar.  
O Exército impõe, sob a desculpa da pacificação, uma opressão digna dos dias ditatoriais no país. 
E no Sete de Setembro a notícia é que ele foi à favela em represália contra todos que denunciaram seus abusos da noite de domingo.  Talvez somente os garotos do Voz da Comunidade escapem, uma vez que se tornaram famosos e estão expostos na Rede Globo - ou até eles sejam achincalhados, atacando-se suas reputações.
Luzes apagadas e balas de borracha em todos os que denunciaram.  Isso passou na tevê?



Moradores e militares da Força de Ocupação do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, se enfrentaram novamente na segunda-feira à noite, no mesmo local onde, no domingo à tarde, um conflito deixou 12 pessoas feridas -entre elas, dois soldados. O novo confronto agravou ainda mais o clima de tensão por que passa a região desde o domingo.
Moradores acusam os militares de terem apagado as luzes da rua antes de começar a disparar balas de borracha contra a população. Seria uma represália, dizem, ao confronto anterior. O Exército nega.
"Aconteceu no mesmo lugar da primeira confusão. Eles entraram na rua 2, apagaram as luzes e começaram a procurar todo mundo que deu entrevista", disse uma moradora que não quis se identificar.
O Exército afirma que, pouco antes da confusão, houve uma ação contra mototaxistas. Oito foram presos. Segundo os militares, revoltados, outros mototaxistas estimularam moradores a entrar em confronto com a Força de Ocupação.
Alguns incendiaram pedaços de madeira no cruzamento entre as avenidas Itaoca e Itararé, que levam ao Alemão. "Nossa presença quebra toda a sorte de negócios irregulares. Imagina os valores que circulavam aqui antes", disse o general Cesar Leme, comandante da Força de Pacificação.
Amanhã, três promotores militares vão visitar o local. O comando da Força também pretende ampliar as reuniões com líderes comunitários.
"A relação com oficiais é boa, mas jovens recrutas estão desrespeitando moradores e colocando em risco a pacificação", diz José Júnior, coordenador da ONG AfroReggae.
Segundo ele, muitos moram em áreas dominadas por facções rivais ao Comando Vermelho, que dominava o Alemão, e fazem questão de dizer isso aos moradores.
De manhã o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) afirmou que os problemas recentes são resultado de "resquícios de um viés violento" de uma minoria de moradores das favelas e da própria polícia.

Comentários

Postagens mais visitadas