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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Lembrei esta manhã de dona Nêga

Esta manhã levamos Alice para seu primeiro dia na escola.  Há tempos que esta garotinha de um ano e dez meses, completados domingo, insistia conosco em ir para a escola, influenciada, certamente, por todos aqueles desenhos do Discovery Kids e da TV Ratimbum que mostram felizes crianças na escola.

Imagino a ansiedade que tomou conta dela a partir da minha própria ansiedade.  Quando chegou à educação infantil do colégio onde está estudando, perguntou por Sid.  Quem não tem filhos pequenos é provável que não saiba quem é o menino cientista.  Os pais devem saber que Sid é um dos melhores programas infantis da tevê.
Ainda bem que Pocoyo não vai à escola senão Alice teria perguntado muito por ele, o grande amor de sua vida.
Pocoyo, Pato, Eli e Lola em Abbey Road

Fui à escola pela primeira vez no Jardim Escola Saci Pererê, de dona Albanira, ali na rua Açu.  Naquele tempo programa infantil era Balão Mágico e os especiais musicais, como Pirlimpimpim.
Evidentemente tenho poucos flashs de lembrança daqueles dias.  Lembro do dia em que acompanhei minha mãe para fazer matrícula.  E lembro de dona Nêga.
Eu e Kênia tínhamos quase certeza de que Alice não ia chorar nem fazer qualquer menção negativa ao chegar à escola.  Foi assim mesmo.  E isso me fez lembrar aquela "tia"lá do Saci e o meu primeiro dia de aula.
Meu primeiro dia de aula foi tão dramático que lembro das pessoas me segurando, minha mãe saindo pelo portão e eu dando uma mordida na mão de dona Nêga.  Corri ao portão chorando e minha mãe ia pela calçada na direção da Avenida Deodoro.
Alice não chorou. Pelo menos por hoje, se sentiu em casa.  Não mordeu ninguém, mas, está certo, foi mordida por um coleguinha de sala na mão.  Foi o único choro que teve.  A mão ficou marcada pelos dentes do menino.  Começou...

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