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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

A legalização da grilagem pelo governo paulista

Setecentas famílias de sem-terra aguardam, há anos, na região do Pontal do Paranapanema (SP), que o estado reverta a posse de 155 mil hectares de lotes grilados e disponha a terra para Reforma Agrária.  Parte dessa terra grilada e ocupada ilegalmente é onde está estabelecida a fazenda da Cutrale.  Sim, aos desavisados, a Cutrale ocupa terra de forma ilegal.
Mas o governo tucano paulista não pensa ou quer justiça no campo.  Quer regularizar o crime dos empresários.  E usa como desculpa, para isso, pôr fim às disputas por terras na região - principal área de conflito agrário em São Paulo.  Duvido que Alckmin (PSDB), médico minimamente inteligente e informado, realmente creia que uma ação como essa não representará justamente o contrário: o recrudescimento da disputa por terra na região, talvez até com maior derramamento de sangue.  Provavelmente o que os tucanos queiram realmente é reprimir e extinguir o MST à base da bala e do porrete.
A proposta do governo pretende permitir que fazendeiros comprem terras que o próprio Estado reivindica como sendo suas.   Segundo a Folha de São Paulo, Alckmin pediu empenho aos deputados para a aprovação, na Assembleia Legislativa, de dois projetos de lei sobre o tema. Um é antigo, de 2007, mas o outro começou a tramitar no mês passado.  A aprovação dos projetos agilizaria a resolução da questão, sem precisar esperar pela Justiça. O Estado, porém, abre mão das terras.
O projeto de lei de 2007 foi proposto por Serra: permite a regularização de propriedades superiores a 500 hectares mediante o pagamento de taxa ao Estado.  Recentemente, novo projeto propõe regularizar as propriedade com até 500 hectares, também com pagamento.

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