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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Folhaleaks: Os alcaguetas estão chegando

Por Carlos Motta
Nas Crônicas do Motta

A criação do tal "Folhaleaks" evidencia a necessidade que o jornal paulistano tem de se valer sempre do marketing como sua arma principal. Também a sua submissão aos modismos - afinal, o sucesso do pioneiro e revolucionário Wikileaks não pode ser ignorado, embora seja óbvio que as informações passadas para a Folha serão devidamente usadas em benefício próprio - como seus "concorrentes", a Folha age muito mais como um partido político do que como um jornal de verdade.
Há quem diga que a novidade institui o dedodurismo na imprensa nativa, por aceitar denúncias anônimas.
Não chega a tanto, pois todos sabem que a imprensa brasileira a vida inteira se valeu do vazamento de informações das mais variadas fontes para praticar o que intitula, muito inapropriadamente, de "jornalismo investigativo".
Mas chama a atenção o fato de a propaganda do tal "Folhaleaks" enfatizar que os alcaguetas serão bem-vindos, e, por tabela, a divulgação ilegal de documentos. O texto sobre a novidade tranquiliza as consciências mais aflitas ao dizer que tudo será checado antes de se tornar notícia.
Puxa, como esse pessoal é bonzinho e responsável!
O idealizadores do tal "Folhaleaks" certamente aguardam uma enxurrada de e-mails sobre todas as falcatruas que se fazem por este Brasilzão afora.
E, como experientes "jornalistas", saberão separar o joio do trigo, mandando para o lixo aquilo que não lhes interessa e colocando na estrada a sua legião de farejadores em busca do ideal de produzir um escândalo por dia, até que o país fique livre de toda a sujeira que se acumulou desde que o PT assumiu o poder e livrou a administração federal das penas da tucanagem.
Porque, no fundo, a novidade servirá apenas para isso.
Claro que tudo será feito em nome do bom jornalismo, da liberdade de imprensa, da função social dos meios de comunicação etc e tal.
É impressionante como faz falta ao Brasil uma legislação que estenda aos jornais a mesma responsabilidade que todos os outros pobres mortais têm.

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