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Destaques

Sobre cegos, castelos e a escrita de si numa manhã ruiva em Natal

Hoje a manhã de Natal ficou ruiva. A volta do Ação Leitura foi marcada pela presença de Nando Reis. Motivo mais que suficiente para que minha filha trocasse as aulas de química e física por uma aula sobre poesia, criação, leitura e literatura no ambiente de um cinema da cidade ruiva. Um dos temas mais importante da conversa mediada por Carlos Henrique Fialho, velho amigo dos tempos de adolescência, foi a característica autobiográfica das canções de Nando. Mesmo sendo fruto de labor profissional, mesmo não acreditando no passe de mágica inspirativo para a escrita de músicas, foi muito interessante perceber o quanto de biográfico tem naquela poesia toda. Outro tema recorrente foi Marisa Monte, mas por ser constrangedor, como brincou Nando, esse eu deixo de lado. Muitas músicas de Nando, ele explicou, foram escritas na sua luta contra a dependência química. Quando citou Os cegos do castelo (“Eu não quero mais mentir/Usar espinhos que só causam dor”), Nando falou do grau de consciência do ...

Censura no Agosto de Alegria



A relação profissional entre artistas e contratantes por vezes ganha contornos conflituosos, e casos corriqueiros acabam ganhando uma dimensão impensável nesses tempos de comunicação globalizada e redes sociais. O caso mais recente aconteceu com o cantor e compositor potiguar Rodrigo Lacaz, também conhecido pelo seu trabalho na banda Lunares, com a qual lançou um CD. Contratado para dois shows no Festival Gastronômico Sabor Potiguar, evento incluso no projeto "Agosto da Alegria", ele teve sua segunda apresentação abruptamente interrompida sob a justificativa de que o repertório (com algumas canções em inglês, como Beatles e Cindy Lauper e Andrea Boccelli) não se adequava ao perfil do evento.  A produção chegou a desligar o som do palco durante a apresentação. "Quando fui contratado, uma semana antes, não me disseram nada sobre essa restrição. Meu trabalho tem uma proposta artística, um conceito, e não posso mudar tudo de uma hora para outra. Inclusive me apresento com bases eletrônicas", disse Rodrigo ao VIVER. O produtor Marcelo Veni, responsável pela programação contratada pela Secretaria de Agricultura, idealizadora do Festival em parceira da FJA no "Agosto da Alegria", disse que houve entendimento com Lacaz que reduziria o número de músicas internacionais. "Ele concordou em concentrar as músicas no início do show, e que depois só iria cantar em português", informou Veni. Rosane Morais, da Secretaria de Agricultura, disse que também conversou com o músico, "que não confirmou se iria ou não mudar o repertório. Se tivesse dito que não iria, teríamos cancelado o show do sábado (3) e pagaríamos o cachê da mesma forma. Pessoalmente gostei da música dele, mas as pessoas estavam questionando e achei por bem tentar contornar".

Ao contrário do que foi divulgado por Rodrigo Lacaz em carta pública divulgada ontem, o músico foi avisado que o tempo de apresentação seria reduzido devido série de ações incorporadas à programação de última hora. A secretária Isaura Rosado disse não ter qualquer envolvimento com o caso. "Acho que houve um equívoco na contratação, ele estava deslocado, mas nem estive lá no sábado", disse ela.

Conforme combinado, Lacaz concentrou as 3 músicas internacionais no início do show. "As pessoas precisam entender que músico não é vitrola e não há humilhação maior para um músico que desligarem o som durante uma apresentação."

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